A Gollog, divisão de logística da Gol, está transformando o mercado de entregas no Brasil com uma estratégia agressiva de expansão aérea. A companhia opera atualmente nove aeronaves dedicadas exclusivamente ao Mercado Livre, movimentando cerca de 325 mil pacotes por dia — um salto expressivo desde 2022, quando a parceria começou com apenas dois aviões. Segundo Patrícia Bello, diretora-geral da Gollog, em entrevista ao jornal O Globo, essa operação frenética exige um nível de serviço muito superior ao transporte de passageiros: um atraso em um voo cargueiro compromete a expectativa de 25 mil clientes, contra 186 pessoas em um voo comercial.
O impacto dessa logística aérea no comportamento de consumo é notável em praças antes mal atendidas. Em Manaus, por exemplo, o prazo de entrega de produtos comprados online caiu de 45 dias para apenas dois dias, segundo a executiva. Essa mudança radical não apenas melhora a experiência do consumidor, mas também destrava mercados inteiros: quando a promessa de entrega rápida é cumprida, as vendas online crescem exponencialmente. É como se uma cidade inteira ganhasse acesso a uma loja que antes ficava a semanas de distância — agora, está a apenas um clique e dois dias de espera.
Expansão internacional com aviões de grande porte
Além do mercado doméstico, a Gollog está investindo pesado em rotas internacionais. A empresa introduziu aviões Airbus A330 no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, que transportam até 20 toneladas por voo intercontinental — o equivalente a colocar um Boeing 737 cargueiro inteiro dentro do porão. Essa capacidade aumenta em mais de sete vezes a oferta de espaço da companhia em rotas internacionais, segundo Patrícia Bello. No primeiro mês da rota Rio-Nova York, os voos decolaram lotados, exportando frutas (especialmente kiwi) e pescado, e importando componentes eletrônicos no retorno.
A integração com a Avianca Cargo, parte do Grupo Abra (que controla tanto a Gol quanto a Avianca), tem sido fundamental para essa expansão. A Avianca já possui mais de 50 anos de experiência em carga internacional e relacionamentos consolidados com aduanas, o que permite à Gollog acessar mercados externos sem precisar construir essa estrutura do zero. Durante a operação humanitária na Colômbia, por exemplo, o Centro de Controle Operacional da Avianca orientou tecnicamente a Gollog sobre um aeroporto desconhecido, permitindo que os cargueiros 737 da Gol pousassem onde os aviões da Avianca não podiam, devido a restrições de pista.
Comparação internacional e vantagem competitiva
A estratégia da Gollog de operar aviões dedicados a um único cliente de e-commerce tem paralelos internacionais. A Amazon, por exemplo, opera sua própria frota de mais de 100 aviões cargueiros nos Estados Unidos através da Amazon Air, garantindo controle total sobre prazos de entrega. A diferença é que a Gollog aproveita a regularidade dos voos do Mercado Livre para captar outros clientes industriais, como fábricas de autopeças em Manaus e o polo têxtil de Fortaleza, otimizando o uso da capacidade ociosa. Isso resolve um dos grandes gargalos da logística aérea: o avião voltar vazio, o que encarece toda a operação.
A executiva explica que a grande vantagem competitiva frente ao transporte rodoviário é a regularidade. Como o Mercado Livre não pode falhar nos prazos, o avião estará no destino todos os dias, independentemente do volume. Isso permite à Gollog flexibilizar a operação com voos triangulados — por exemplo, Guarulhos-Belém-Manaus — viabilizando soluções para indústrias paraenses que têm negócios no Amazonas.
📊 Número do Dia
325 mil , Pacotes movimentados diariamente pela Gollog apenas na operação dedicada ao Mercado Livre, com nove aeronaves exclusivas
Por que isso importa
Para o consumidor, a expansão da logística aérea significa prazos de entrega drasticamente menores, especialmente em regiões remotas como o Norte do Brasil. Para as empresas, abre oportunidades de vender em mercados antes inacessíveis devido à demora no transporte. E para investidores, sinaliza que a Gol está diversificando receitas além do transporte de passageiros, apostando em um segmento de carga que cresce junto com o e-commerce — um mercado que não para de expandir no Brasil.


