A BYD, gigante chinesa conhecida por seus carros elétricos, concluiu a entrega de 14 trens de monotrilho para São Paulo, completando a frota da Linha 17-Ouro. O último trem, identificado como N14, chegou ao Pátio Água Espraiada após ser transportado do Porto de Santos durante a madrugada, segundo informações divulgadas pelo Metrô CPTM. Cada composição é formada por cinco carros interligados, fabricados pela divisão BYD Skyrail na China.
Antes de transportar passageiros, cada trem precisa passar por uma série de testes estáticos e dinâmicos para obter certificação operacional. Isso significa que, embora todas as 14 unidades já estejam em solo brasileiro, a integração à malha operacional acontecerá de forma gradual — como uma fábrica que recebe máquinas novas mas precisa testá-las uma a uma antes de ligar a linha de produção completa.
Os trens da BYD trazem tecnologia de ponta para o transporte público paulistano. Cada composição comporta até 616 passageiros e opera com o sistema UTO (Unattended Train Operation), que permite condução 100% automática, sem necessidade de motorista a bordo. Além disso, contam com ar-condicionado, iluminação em LED, câmeras de vigilância e um conjunto de baterias capaz de mover o trem por até 8 quilômetros mesmo em caso de queda total de energia — uma autonomia de emergência importante para evitar que passageiros fiquem presos em caso de blecaute.
Comparação internacional
A tecnologia de monotrilho automático da BYD já opera em cidades chinesas, mas São Paulo é a primeira aplicação fora da China. A título de comparação, sistemas semelhantes de metrô sem condutor existem em Dubai (Emirados Árabes) desde 2009 e em Copenhague (Dinamarca) desde 2002, mas com tecnologias de outros fabricantes. A entrada da BYD no mercado brasileiro de transporte sobre trilhos representa uma expansão da presença chinesa na infraestrutura urbana da América Latina, seguindo a estratégia da empresa de diversificar além de veículos particulares.
Linha inacabada ganha solução
Inaugurada em março de 2025, a Linha 17-Ouro possui 6,7 quilômetros de extensão e oito estações no trecho prioritário. O traçado conecta a estação Morumbi ao Aeroporto de Congonhas, fazendo integração com a Linha 5-Lilás de metrô e a Linha 9-Esmeralda de trens metropolitanos. A estimativa oficial é que o sistema transporte cerca de 100 mil passageiros por dia — um volume equivalente à população de uma cidade como Vinhedo, no interior paulista.
A consolidação da linha sob a engenharia da BYD resolve um gargalo antigo de infraestrutura na capital. O projeto havia enfrentado atrasos e problemas técnicos antes da entrada da fabricante chinesa, que assumiu a conclusão do sistema e trouxe sua tecnologia SkyRail para viabilizar a operação.
📊 Número do Dia
616 , passageiros que cada trem da BYD pode transportar na Linha 17-Ouro de São Paulo, com tecnologia 100% automática
Por que isso importa
Para o cidadão paulistano, a conclusão da entrega da frota representa um passo importante para ampliar a capacidade de transporte entre a zona sul e o aeroporto de Congonhas, reduzindo o tempo de deslocamento em uma das regiões mais congestionadas da cidade. Para o setor de infraestrutura, marca a consolidação da presença chinesa no fornecimento de tecnologia de transporte urbano no Brasil, abrindo caminho para novos contratos em outras cidades. Para investidores, sinaliza a competitividade crescente de fabricantes asiáticos em licitações públicas brasileiras, tradicionalmente dominadas por consórcios europeus e norte-americanos.
Fonte original: https://atarde.com.br/brasil/byd-assume-linha-de-trem-inacabada-e-aumenta-frota-chinesa-em-cidade-1399419


