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segunda-feira, 24 de agosto de 2026 Brasil

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Brasil ganha 9 mil novos milionários em 2025

O Brasil encerrou 2025 com cerca de 386 mil milionários em dólares, após adicionar 9.215 novos ricos ao longo do ano — um crescimento de 2,4%, segundo relatório do banco suíço UBS.

Brasil encerrou 2025 com 386 mil milionários, liderando a América Latina. Mas desigualdade de riqueza segue entre as mais altas do mundo.

O Brasil encerrou 2025 com cerca de 386 mil milionários em dólares, após adicionar 9.215 novos ricos ao longo do ano — um crescimento de 2,4%, segundo relatório do banco suíço UBS. Esse número coloca o país na liderança da América Latina, à frente do México, que possui aproximadamente 333 mil milionários. Para entender o que significa ser milionário em dólares: são pessoas com patrimônio líquido (bens menos dívidas) de pelo menos US$ 1 milhão, o equivalente a cerca de R$ 5,7 milhões na cotação atual.

Apesar do aumento no número de ricos, o Brasil mantém uma das maiores concentrações de riqueza do planeta. O país registra um índice Gini de riqueza de 0,81 — uma medida que vai de 0 (igualdade perfeita) a 1 (desigualdade máxima). Esse número coloca o Brasil como o quarto mais desigual entre 56 mercados analisados pelo UBS. É como se, em uma sala com 100 brasileiros, apenas 4 ou 5 concentrassem quase toda a riqueza disponível, enquanto os demais dividem as sobras.

A título de comparação, países desenvolvidos como Alemanha e França apresentam Gini de riqueza em torno de 0,70 a 0,75, enquanto nações escandinavas ficam abaixo de 0,70. Mesmo entre emergentes, o Brasil se destdestaca negativamente: a África do Sul, historicamente desigual, tem Gini de riqueza semelhante, enquanto a China registra cerca de 0,70. Isso significa que, enquanto o Brasil cria novos milionários, a base da pirâmide econômica não acompanha esse enriquecimento no mesmo ritmo.

O que explica essa concentração

A desigualdade de riqueza no Brasil reflete tanto fatores históricos quanto características do mercado financeiro e tributário. O país tributa pouco a renda de capital (dividendos, aluguéis, ganhos com ações) e muito o consumo, o que beneficia quem já tem patrimônio. Além disso, o acesso a investimentos sofisticados — como fundos exclusivos, private equity e ativos no exterior — é restrito a quem já possui grandes fortunas, criando um ciclo de acumulação concentrada.

Segundo dados públicos do IBGE, o 1% mais rico do Brasil concentra cerca de 50% de toda a riqueza nacional, enquanto os 50% mais pobres detêm menos de 1%. Essa distância não diminuiu significativamente nas últimas décadas, mesmo com programas de transferência de renda e aumento do salário mínimo. A riqueza, diferente da renda, se acumula ao longo de gerações e depende de heranças, investimentos e acesso a oportunidades que a maioria da população não possui.

Número do Dia

386 mil — o número de milionários em dólares no Brasil ao final de 2025, o maior da América Latina.

📊 Número do Dia

386 mil , Número de milionários em dólares no Brasil ao final de 2025, o maior da América Latina

Por que isso importa

Para o investidor, o crescimento do número de milionários sinaliza oportunidades em serviços de wealth management (gestão de fortunas) e produtos financeiros sofisticados. Para a empresa, indica um mercado de luxo e serviços premium em expansão. Para o cidadão comum, porém, a notícia reforça que o enriquecimento do topo não se traduz automaticamente em melhoria de vida para a maioria — e levanta questões sobre políticas tributárias e distributivas que poderiam reduzir essa distância.


Fonte original: https://www.riotimesonline.com/brazil-386000-millionaires-ubs-wealth-report-inequality-2026/