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terça-feira, 25 de agosto de 2026 Brasil

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Falência da Oi ameaça serviços públicos essenciais no Brasil

A decretação de falência da Oi pela Justiça do Rio, em 25 de agosto, expõe a dependência de órgãos públicos e empresas essenciais da infraestrutura da operadora. De casas lotéricas a números de emergência como 190 e 192, milhares de serviços críticos ainda dependem da companhia.

Falência da Oi ameaça serviços essenciais: 13 mil lotéricas, números de emergência e contratos com governos dependem da infraestrutura da operadora.

A Oi Soluções, divisão corporativa da operadora, encerrou fevereiro de 2026 com 9,2 mil clientes ativos — queda de 45% em relação ao ano anterior. Entre esses clientes estão contratos estratégicos com governos estaduais, prefeituras e empresas estatais, segundo relatório da administração judicial do Grupo Oi. A falência (quando uma empresa não consegue mais pagar suas dívidas e precisa encerrar as atividades) coloca em risco a continuidade desses serviços.

Um dos casos mais sensíveis envolve a Caixa Econômica Federal. A Oi mantém 14 contratos que garantem a conectividade de cerca de 13 mil casas lotéricas em todo o país. No início de agosto, quando a Sitelbra, fornecedora da Oi, interrompeu links por atraso nos pagamentos, a rede de lotéricas foi afetada em 18 estados — imagine ficar sem poder pagar contas ou receber benefícios sociais porque a internet da lotérica caiu.

A situação se repete em serviços de emergência. A Oi opera terminais associados a números tridígitos essenciais, como 190 (Polícia Militar), 192 (Samu) e 193 (Corpo de Bombeiros). Também atende canais da Defesa Civil e das polícias Civil, Federal e Rodoviária Federal. Pelas regras da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a operadora deve manter esses contratos e assegurar telefonia fixa até dezembro de 2028 em localidades sem outra prestadora — mas não está claro como isso será fiscalizado ou garantido.

Governos estaduais na linha de risco

O Governo da Bahia enfrentou problemas recentes quando circuitos de dados que alimentam câmeras da Secretaria de Segurança Pública foram afetados pela interrupção de serviços. A Justiça determinou restabelecimento em 12 horas, mas o episódio ilustra a fragilidade da dependência. A prefeitura de João Pessoa identificou contrato firmado em 2022 para internet, telefonia e transporte de dados, e já trabalha na migração para rede própria.

A título de comparação, quando a operadora espanhola Telefónica enfrentou dificuldades financeiras na década de 2010, governos europeus criaram planos de contingência para garantir a continuidade de serviços essenciais. No Brasil, a Anatel não informou até a publicação qual será o plano caso a Oi não consiga manter os serviços.

📊 Número do Dia

13 mil , casas lotéricas da Caixa Econômica Federal dependem da infraestrutura da Oi para funcionar

Por que isso importa

A falência da Oi não é apenas um problema empresarial — é uma questão de continuidade de serviços públicos essenciais. Para o cidadão, significa risco de interrupção em emergências, pagamentos e benefícios sociais. Para empresas e governos, expõe a fragilidade de depender de uma única operadora em situação financeira crítica. A falta de plano claro da Anatel para garantir a transição aumenta a incerteza sobre quem assumirá esses contratos e quando.


Fonte original: https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/08/falencia-veja-quem-ainda-depende-dos-servicos-da-oi.ghtml