O mercado interno foi o motor do crescimento, respondendo por R$ 1,02 trilhão do faturamento total, conforme dados da Abia divulgados nesta segunda-feira. Desse montante, por exemplo, R$ 732 bilhões vieram do varejo e o restante do food service, segmento que vem recuperando participação após a pandemia. Dessa forma, as vendas reais avançaram 2,2%, refletindo a recomposição gradual do consumo das famílias e ganhos de eficiência das empresas.
No front externo, por sua vez, as exportações cresceram 0,7%, somando US$ 66,73 bilhões. Assim, a Ásia consolidou-se como principal destino, com US$ 27,4 bilhões em compras. Por outro lado, os Estados Unidos importaram US$ 4,9 bilhões em produtos brasileiros, alta de 9,2%, mesmo com as elevações tarifárias aplicadas ao setor. A título de comparação, contudo, o Brasil mantém posição relevante no comércio global de alimentos: segundo dados da Organização Mundial do Comércio, o país figura entre os cinco maiores exportadores mundiais do setor, competindo com gigantes como Estados Unidos e Holanda.
O setor empregou diretamente 2,12 milhões de trabalhadores em 2025, crescimento de 2,4% ante 2024, segundo a Abia. Além disso, somando empregos indiretos, a cadeia produtiva alcançou 10,6 milhões de postos, equivalentes a 10,3% da força de trabalho ocupada no país. Para 2026, portanto, a associação projeta crescimento das vendas reais entre 2% e 2,5%, impulsionado pelo mercado doméstico e recuperação gradual do mercado internacional. Por conseguinte, a geração de empregos deve avançar entre 1% e 1,5%.
João Dornellas, presidente executivo da Abia, destacou que “a combinação de estabilidade da safra, redução gradual dos juros e um ambiente econômico de crescimento moderado, no Brasil e no mundo, cria condições mais previsíveis para o planejamento e o investimento”.
📊 Número do Dia
R$ 1,39 trilhão — Faturamento da indústria de alimentos e bebidas em 2025, representando 10,8% do PIB brasileiro
Por que isso importa
O desempenho robusto da indústria de alimentos sinaliza, de fato, resiliência da demanda doméstica em meio a juros elevados e inflação pressionada. Para o cidadão, sobretudo, o crescimento de 2,4% no emprego direto representa mais de 48 mil novos postos de trabalho formais. Para empresas do setor, em contrapartida, a projeção de vendas reais entre 2% e 2,5% em 2026 indica ambiente favorável para investimentos, especialmente com a perspectiva de redução gradual da Selic. Para investidores, finalmente, o setor demonstra capacidade de crescimento mesmo em cenário macroeconômico desafiador, com mercado interno compensando volatilidade externa.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/industria-de-alimentos-e-bebidas-cresceu-8-em-2025-diz-abia












