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segunda-feira, 24 de agosto de 2026 Brasil

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Brasil tem 48 milhões de pessoas morando de aluguel

O Brasil registrou 48,7 milhões de pessoas vivendo de aluguel em 2025, um aumento de 11 milhões em relação a 2016. No mesmo período, o número de brasileiros morando em casa própria caiu de 137,9 milhões para 129,8 milhões, segundo dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgados pelo IBGE.

Família de três pessoas assinando documentos em mesa de madeira cercada por caixas de mudança rotuladas cozinha mercado imobiliário
Mercado de locação residencial movimenta economia com milhões de famílias brasileiras.

O Brasil está se tornando um país de locatários. Em 2025, 23,8% dos domicílios eram alugados, contra 18,4% em 2016 — um salto de quase 30% em participação relativa. Enquanto isso, as casas próprias já quitadas caíram de 66,8% para 60,2% do total de imóveis. Para entender a dimensão: é como se, a cada dez brasileiros que moravam em casa própria há nove anos, um tivesse migrado para o aluguel.

Os números revelam uma transformação profunda no mercado imobiliário brasileiro. Os aluguéis cresceram 54,1% entre 2016 e 2025, ritmo muito superior ao dos imóveis próprios quitados (7,3%) e até dos financiados (31,2%). Segundo William Kratochwill, analista da Pnad, o aumento da renda das famílias tem sido consistente, mas insuficiente para acompanhar o preço dos imóveis. “As pessoas crescem, casam ou vão morar sozinhas e não estão conseguindo comprar, então estão optando mais pelo aluguel”, explica.

Os apartamentos são os grandes responsáveis por essa mudança. Em 2016, 30,4% dos apartamentos eram alugados; em 2025, esse percentual saltou para 38,9%. Nas casas, o avanço foi mais moderado: de 16,3% para 20,6%. O número total de apartamentos no país cresceu 48,7% no período, contra apenas 14,2% das casas. A explicação está na urbanização acelerada: em um terreno onde caberiam duas casas, construtoras erguem prédios com 20 apartamentos, multiplicando a densidade urbana e os lucros.

A título de comparação, países europeus como Alemanha e Suíça têm taxas de locação ainda mais altas — acima de 50% dos domicílios —, reflexo de mercados imobiliários maduros e políticas de incentivo ao aluguel. No Brasil, porém, a mudança não parece ser uma escolha cultural, mas uma necessidade econômica: o sonho da casa própria esbarra no descompasso entre renda e preço dos imóveis, especialmente nas grandes cidades.

Apesar do avanço dos apartamentos, as casas ainda predominam no Brasil, representando 82,7% dos 79,2 milhões de domicílios (65,6 milhões de unidades). Os apartamentos somam 13,6 milhões, ou 17,1% do total. Kratochwill destaca que o mercado imobiliário identificou a demanda por segurança em condomínios fechados e passou a priorizar edificações verticais, mais rentáveis que casas isoladas.

📊 Número do Dia

48,7 milhões , de brasileiros vivem de aluguel em 2025, um aumento de 11 milhões em nove anos

Por que isso importa

Para o cidadão, a dificuldade crescente de comprar imóvel significa comprometer mais renda com aluguel — despesa que não gera patrimônio. Para o investidor, o mercado de locação aquecido sinaliza oportunidades em fundos imobiliários e construção de apartamentos compactos. Para construtoras, a verticalização urbana se consolida como modelo de negócio mais lucrativo, enquanto o financiamento habitacional perde espaço relativo na estratégia das famílias brasileiras.


Fonte original: https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/04/sem-casa-propria-48-milhoes-de-pessoas-moram-de-aluguel-no-brasil.ghtml