O Brasil está se tornando um país de locatários. Em 2025, 23,8% dos domicílios eram alugados, contra 18,4% em 2016 — um salto de quase 30% em participação relativa. Enquanto isso, as casas próprias já quitadas caíram de 66,8% para 60,2% do total de imóveis. Para entender a dimensão: é como se, a cada dez brasileiros que moravam em casa própria há nove anos, um tivesse migrado para o aluguel.
Os números revelam uma transformação profunda no mercado imobiliário brasileiro. Os aluguéis cresceram 54,1% entre 2016 e 2025, ritmo muito superior ao dos imóveis próprios quitados (7,3%) e até dos financiados (31,2%). Segundo William Kratochwill, analista da Pnad, o aumento da renda das famílias tem sido consistente, mas insuficiente para acompanhar o preço dos imóveis. “As pessoas crescem, casam ou vão morar sozinhas e não estão conseguindo comprar, então estão optando mais pelo aluguel”, explica.
Os apartamentos são os grandes responsáveis por essa mudança. Em 2016, 30,4% dos apartamentos eram alugados; em 2025, esse percentual saltou para 38,9%. Nas casas, o avanço foi mais moderado: de 16,3% para 20,6%. O número total de apartamentos no país cresceu 48,7% no período, contra apenas 14,2% das casas. A explicação está na urbanização acelerada: em um terreno onde caberiam duas casas, construtoras erguem prédios com 20 apartamentos, multiplicando a densidade urbana e os lucros.
A título de comparação, países europeus como Alemanha e Suíça têm taxas de locação ainda mais altas — acima de 50% dos domicílios —, reflexo de mercados imobiliários maduros e políticas de incentivo ao aluguel. No Brasil, porém, a mudança não parece ser uma escolha cultural, mas uma necessidade econômica: o sonho da casa própria esbarra no descompasso entre renda e preço dos imóveis, especialmente nas grandes cidades.
Apesar do avanço dos apartamentos, as casas ainda predominam no Brasil, representando 82,7% dos 79,2 milhões de domicílios (65,6 milhões de unidades). Os apartamentos somam 13,6 milhões, ou 17,1% do total. Kratochwill destaca que o mercado imobiliário identificou a demanda por segurança em condomínios fechados e passou a priorizar edificações verticais, mais rentáveis que casas isoladas.
📊 Número do Dia
48,7 milhões , de brasileiros vivem de aluguel em 2025, um aumento de 11 milhões em nove anos
Por que isso importa
Para o cidadão, a dificuldade crescente de comprar imóvel significa comprometer mais renda com aluguel — despesa que não gera patrimônio. Para o investidor, o mercado de locação aquecido sinaliza oportunidades em fundos imobiliários e construção de apartamentos compactos. Para construtoras, a verticalização urbana se consolida como modelo de negócio mais lucrativo, enquanto o financiamento habitacional perde espaço relativo na estratégia das famílias brasileiras.
Fonte original: https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/04/sem-casa-propria-48-milhoes-de-pessoas-moram-de-aluguel-no-brasil.ghtml












