O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre Silveira em ofício assinado pelo presidente da CNA, João Martins da Silva, segundo informou a Agência Brasil. Por conseguinte, o tema poderá ser discutido na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), prevista para a próxima semana. Caso aprovado, portanto, todo o diesel comercializado no Brasil passaria a conter 17% de biodiesel (B17), ante os atuais 15% (B15).
A pressão sobre os preços é concreta: de fato, o barril do petróleo tipo Brent chegou a US$ 84, acumulando alta de cerca de 20% desde o fim de fevereiro, conforme reportado pela CNA. Além disso, a entidade cita como precedente a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, quando o petróleo subiu cerca de 40% no primeiro semestre, com reflexos de altas de aproximadamente 21% no preço do diesel nas distribuidoras e de 23% na revenda. Por outro lado, a União Europeia respondeu àquela crise com tetos de preço e aceleração de programas de biocombustíveis, enquanto os Estados Unidos liberaram reservas estratégicas de petróleo.
Segundo a CNA, portanto, o aumento da mistura ajudaria a reduzir a dependência do petróleo importado e limitar pressões sobre os custos de transporte. Além disso, produtores rurais relatam elevação de até R$ 1 no preço do combustível nos postos. Com a mudança, dessa forma, a entidade avalia que postos e distribuidoras conseguiriam evitar repasses maiores aos consumidores. A confederação argumenta, sobretudo, que o Brasil tem condições de ampliar rapidamente o uso de biodiesel porque a safra de soja, principal insumo do combustível, está em andamento e deve ser recorde neste ano.
A CNA também destacou que a mistura de 16% (B16) estava prevista para entrar em vigor em 1º de março, conforme o cronograma da política de biocombustíveis, mas ainda não foi implementada. Atualmente, contudo, o diesel vendido no Brasil já contém uma parcela obrigatória de biodiesel, produzido principalmente a partir de óleo de soja e outras matérias-primas vegetais.
📊 Número do Dia
20% — Alta acumulada do petróleo Brent desde o fim de fevereiro, pressionando os preços do diesel no Brasil
Por que isso importa
Para o cidadão, em primeiro lugar, o aumento da mistura de biodiesel pode conter a alta do diesel nos postos, reduzindo o impacto no custo de vida, especialmente em alimentos e transporte. Para o agronegócio, por outro lado, representa alívio nos custos logísticos durante a colheita da primeira safra e o plantio da segunda safra, período crítico de consumo de combustível. Para o investidor, finalmente, a medida sinaliza maior demanda por biodiesel e valorização da cadeia produtiva de soja, além de reduzir a exposição do país às oscilações do petróleo internacional.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/cna-pede-aumento-do-biodiesel-no-diesel-para-conter-alta-de-precos












