Um mapeamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos (Dieese) em julho e agosto de 2025 mostra que a capital paulista abriga pelo menos 12.671 trabalhadores ambulantes. A pesquisa, que ouviu 2.772 ambulantes em 70 áreas de grande concentração, revela um quadro de precariedade: além disso, 56% trabalham sem permissão do poder público, 76% são proprietários das bancas onde atuam, mas apenas 2% têm carteira assinada.
As jornadas são extenuantes. Enquanto 74% dos ocupados em São Paulo trabalham até 44 horas semanais (limite legal), por outro lado, entre os ambulantes esse percentual cai para 56,5%. Portanto, quase 30% dos ambulantes superam 51 horas semanais. Em contrapartida, a remuneração média é de R$ 3 mil, ou seja, pouco mais da metade dos R$ 5.323 recebidos pelos demais trabalhadores da capital, segundo o Dieese.
O perfil é predominantemente masculino (63%), com idade entre 31 e 50 anos (40%). Além disso, mais da metade (53%) são pretos ou pardos. No entanto, um dado chama atenção: 31% são imigrantes de 30 nacionalidades, principalmente sul-americanos, em situação ainda mais precarizada que os demais. De fato, oito em cada dez ambulantes dependem exclusivamente dessa atividade para sobreviver, e 73% afirmam não querer mudar de profissão.
A título de comparação, a informalidade no trabalho ambulante paulistano (98% sem carteira) supera em muito a taxa nacional de informalidade, que segundo dados recentes do IBGE tem recuado gradualmente. Por exemplo, em economias desenvolvidas da OCDE, o trabalho informal urbano raramente ultrapassa 20% da força de trabalho, evidenciando assim o abismo entre a realidade brasileira e padrões internacionais de proteção trabalhista.
📊 Número do Dia
R$ 3.000 — Renda média mensal dos ambulantes em São Paulo, 56% da média dos demais trabalhadores da capital (R$ 5.323)
Por que isso importa
Para o cidadão, o estudo revela uma face oculta do mercado de trabalho urbano: sobretudo, milhares de pessoas em jornadas exaustivas, sem proteção social e com renda insuficiente. Para o gestor público, por sua vez, aponta a urgência de políticas de regularização: visto que 80% dos ambulantes sem permissão querem se formalizar, mas esbarram em custos e burocracia. Dessa forma, a concentração de imigrantes (31%) também sinaliza que o comércio ambulante funciona como porta de entrada precária para quem busca recomeço no Brasil.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/cidade-de-sao-paulo-tem-mais-de-126-mil-trabalhadores-ambulantes












