Pular para o conteúdo
domingo, 23 de agosto de 2026 Brasil

Economia com profundidade. Decisões com confiança.

Mercados
Carregando cotações...
DÓLAR --
BRT 

Projeto quer reverter corte em pensão do INSS

Um projeto de lei aprovado em comissão da Câmara dos Deputados propõe reverter as mudanças feitas pela Reforma da Previdência de 2019 na pensão por morte do INSS, restabelecendo o pagamento de 100% do benefício aos dependentes.

Projeto na Câmara propõe restabelecer pensão por morte integral do INSS, revertendo mudança da Reforma da Previdência de 2019 que reduziu benefício.

A Comissão de Previdência da Câmara dos Deputados aprovou em julho um parecer favorável ao Projeto de Lei 338/2024, que propõe acabar com o sistema de cotas na pensão por morte do INSS. Desde a Reforma da Previdência de 2019, o benefício deixou de ser integral: hoje, os dependentes recebem 50% do valor da aposentadoria do falecido, mais 10% por cada dependente, até o limite de 100%.

Na prática, isso significa que uma família com três dependentes (cônjuge e dois filhos) recebe 80% do valor original — os 50% fixos mais 30% (10% para cada um dos três). Apenas dependentes inválidos ou com deficiência grave têm direito ao valor integral atualmente. A pensão por morte é o benefício pago pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social, que administra a previdência dos trabalhadores da iniciativa privada) aos familiares de um segurado que falece.

O que muda com o projeto

O PL 338/2024 quer garantir o pagamento de 100% do benefício em todos os casos, eliminando a proporcionalidade. A justificativa apresentada pelos autores é que a regra atual “compromete a qualidade de vida e a capacidade de suprir as necessidades básicas” das famílias enlutadas. A mudança valeria apenas para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), que atende trabalhadores da iniciativa privada — servidores públicos ficariam de fora.

O projeto ainda precisa passar por outras duas comissões na Câmara (Finanças e Tributação e Constituição e Justiça), depois pelo Senado e, finalmente, pela sanção presidencial. Não há prazo definido para conclusão dessa tramitação. Enquanto não vira lei, continuam valendo as regras atuais, estabelecidas em 2019.

Comparação internacional

A título de comparação, países como Portugal e Espanha também adotaram reformas previdenciárias nas últimas décadas que reduziram o valor das pensões por morte. Em Portugal, o benefício varia entre 60% e 70% da pensão do falecido, dependendo da composição familiar — percentual semelhante ao praticado hoje no Brasil para famílias com poucos dependentes.

Como funciona hoje

Além do valor proporcional, a pensão por morte tem duração variável conforme a idade do dependente e o tempo de contribuição do falecido. Se o segurado morreu com menos de 18 contribuições mensais ao INSS e o casamento durou menos de dois anos, a pensão dura apenas quatro meses. Para filhos ou irmãos, o benefício vai até os 21 anos de idade, exceto em casos de invalidez ou deficiência. Para cônjuges, a duração varia: três anos se o dependente tem menos de 22 anos, chegando a vitalícia a partir dos 45 anos.

📊 Número do Dia

80% , Percentual da pensão por morte que uma família com três dependentes recebe hoje, segundo as regras de 2019

Por que isso importa

Para milhões de famílias brasileiras, a pensão por morte representa a única fonte de renda após o falecimento do provedor. A mudança proposta pode significar um aumento de até 25% no valor recebido mensalmente por essas famílias — o que, na prática, é a diferença entre conseguir ou não pagar as contas básicas. Para o governo, porém, restabelecer o benefício integral representa um custo fiscal significativo, pressionando ainda mais as contas públicas num momento de ajuste orçamentário.


Fonte original: https://extra.globo.com/blogs/aposenta-ai/post/2026/08/inss-projeto-em-tramitacao-na-camara-dos-deputados-preve-retomada-de-pensao-por-morte-de-100percent.ghtml