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domingo, 23 de agosto de 2026 Brasil

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Trump ataca petroleiras por lucros da guerra que iniciou

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou nesta segunda-feira (3) as maiores petroleiras americanas por lucrarem com a alta do petróleo causada pela guerra no Irã que ele mesmo iniciou em fevereiro. ExxonMobil e Chevron registraram lucro conjunto de US$ 29 bilhões no segundo trimestre — três vezes mais que no mesmo período de 2025.

Trump critica lucros recordes de petroleiras americanas enquanto gasolina sobe 30% nos EUA. Entenda a diferença para o modelo brasileiro de preços.

Donald Trump pediu que as petroleiras americanas “devolvam parte” dos lucros recordes à população e reduzam os preços da gasolina nos postos. Segundo o presidente, ExxonMobil e Chevron estão “ganhando dinheiro demais” com a crise no Estreito de Ormuz — uma rota marítima por onde passa cerca de um terço do petróleo transportado por navios no mundo. A declaração ocorreu na Casa Branca, onde Trump admitiu ser “a última pessoa” que deveria criticar empresas privadas, mas disse estar “insatisfeito” com a situação.

Os números explicam a irritação presidencial. As duas companhias embolsaram juntas US$ 29 bilhões (R$ 147 bilhões) entre abril e junho — o equivalente a US$ 318 milhões (R$ 1,6 bilhão) por dia. O valor representa mais de três vezes o lucro registrado no segundo trimestre de 2025. A alta do petróleo, provocada pela guerra que Trump iniciou ao lado de Israel, foi o principal motor dos resultados. Mas as refinarias — que transformam petróleo bruto em gasolina, diesel e combustível de aviação — também tiveram ganhos extraordinários.

A diferença entre o sistema americano e o brasileiro é importante aqui. Nos Estados Unidos, os preços dos combustíveis nos postos seguem diretamente as cotações internacionais do petróleo, sem intervenção ou subsídios do governo. É como se o preço na bomba fosse um termômetro direto do mercado global — quando o barril sobe, a gasolina sobe junto. No Brasil, a Petrobras pode segurar reajustes por decisão política, criando uma defasagem entre o preço interno e externo (o que gera prejuízos para a estatal, mas alivia o bolso do consumidor no curto prazo).

Gasolina 30% mais cara pressiona popularidade

Os americanos pagam hoje, em média, mais de US$ 4 por galão de gasolina comum — cerca de 30% acima do preço quando Trump assumiu o cargo. Para efeito de comparação, um galão equivale a 3,78 litros; portanto, o litro da gasolina nos EUA está em torno de US$ 1,06 (cerca de R$ 5,30 na cotação atual). O aumento pressiona a inflação americana (o índice geral de alta de preços na economia) justamente quando Trump enfrenta eleições legislativas em novembro. Pesquisas mostram avaliações cada vez mais negativas dos eleitores sobre a condução da economia e da guerra.

Trump atacou nominalmente Mike Wirth, presidente da Chevron, acusando-o de não reconhecer o “devido mérito” às políticas pró-combustíveis fósseis de seu governo. Em postagem na rede Truth Social, o presidente escreveu que “sem a visão genial, a força e a estabilidade do governo TRUMP, a indústria do petróleo e o próprio país estariam MORTOS!” Wirth havia dito à Fox Business que o desempenho da Chevron decorreu da produção recorde nos EUA e do volume processado nas refinarias, embora tenha elogiado o governo como “muito útil” para ampliar a oferta de petróleo.

Estratégia copiada de Biden

A tática de culpar as petroleiras não é nova. Trump segue o roteiro de seu antecessor democrata, Joe Biden, que criticou duramente as mesmas empresas pela disparada dos preços após a invasão russa da Ucrânia em 2022. Biden chegou a afirmar, em junho daquele ano, que a ExxonMobil havia “ganhado mais dinheiro do que Deus”. As companhias negam praticar preços abusivos, argumentando que sua participação no mercado é pequena demais para manipular cotações — o mercado de petróleo é global e dominado por dezenas de produtores, de países da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) a gigantes como Arábia Saudita e Rússia.

Em junho, Trump determinou que o Departamento de Justiça investigasse por que os preços da gasolina não haviam caído, sugerindo possível cobrança abusiva. As ações da Chevron caíram cerca de 2% na tarde de segunda-feira, acompanhando a queda do petróleo; os papéis da ExxonMobil recuaram 0,6%. A reação do mercado mostra que, mesmo em um sistema de livre iniciativa, a pressão política do presidente tem peso — ainda que limitado — sobre as expectativas dos investidores.

📊 Número do Dia

US$ 29 bilhões , Lucro conjunto de ExxonMobil e Chevron no segundo trimestre — três vezes mais que em 2025

Por que isso importa

Para o cidadão brasileiro, o episódio ilustra como funciona um mercado de combustíveis sem intervenção estatal — modelo que alguns defendem para o Brasil. Nos EUA, a gasolina reflete imediatamente o preço internacional do petróleo, o que significa que crises geopolíticas (como a guerra no Irã) encarecem o tanque na mesma semana. No Brasil, a Petrobras pode segurar reajustes por decisão política, protegendo o consumidor no curto prazo, mas gerando prejuízos para a estatal e debates sobre subsídios. Para investidores, o caso mostra que mesmo lucros recordes de petroleiras podem ser ameaçados por pressão política em ano eleitoral — um risco que vale também para empresas brasileiras de setores sensíveis, como energia e combustíveis.


Fonte original: https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/08/trump-critica-lucros-de-petroleiras-com-a-guerra-que-ele-proprio-iniciou.ghtml