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domingo, 23 de agosto de 2026 Brasil

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Cooperativas dobram fatia no crédito rural brasileiro em dez anos

As cooperativas de crédito quase dobraram sua participação no financiamento do agronegócio brasileiro na última década, passando de 13% para 25% do total de operações, segundo reportagem da CNN Brasil publicada nesta segunda-feira (30).

Cooperativas de crédito saltam de 13% para 25% do financiamento rural em dez anos, enquanto governo enfrenta pressão orçamentária no crédito subsidiado.

As cooperativas de crédito quase dobraram sua participação no financiamento do agronegócio brasileiro na última década, passando de 13% para 25% do total de operações, segundo reportagem da CNN Brasil publicada nesta segunda-feira (30). O movimento ocorre em um momento em que o governo federal enfrenta crescente dificuldade para ampliar os recursos destinados ao crédito rural subsidiado — aquele em que parte dos juros é paga pelo Tesouro Nacional para baratear o empréstimo ao produtor.

O avanço das cooperativas reflete uma mudança estrutural no modelo de financiamento do campo brasileiro. Tradicionalmente, o crédito rural dependia fortemente de recursos públicos, com taxas de juros abaixo das praticadas no mercado. Mas com o aperto fiscal (quando o governo precisa cortar gastos para equilibrar as contas), essas instituições passaram a ocupar o espaço deixado pelos bancos tradicionais, oferecendo condições mais competitivas e atendimento personalizado aos produtores rurais.

As cooperativas funcionam como bancos dos próprios agricultores: os associados são donos da instituição e dividem os resultados. Isso permite que ofereçam taxas menores e processos mais ágeis, especialmente para pequenos e médios produtores, que muitas vezes enfrentam dificuldades para acessar crédito nos grandes bancos. O modelo tem ganhado força em regiões como o Sul e o Centro-Oeste, onde a agricultura familiar e a produção de grãos são mais intensas.

A título de comparação, nos Estados Unidos as cooperativas de crédito agrícola também desempenham papel relevante, mas o sistema é dominado por grandes bancos privados e pelo Farm Credit System, uma rede de instituições financeiras criada pelo governo federal há mais de um século. No Brasil, o crescimento das cooperativas é mais recente e acelerado, refletindo tanto a capilaridade dessas instituições no interior quanto a necessidade de alternativas ao crédito público.

O movimento também sinaliza uma tendência de mercado: o financiamento do agro brasileiro está se tornando menos dependente do Tesouro e mais apoiado em recursos privados. Isso pode ser positivo para as contas públicas, mas exige que os produtores se adaptem a condições de crédito mais próximas das praticadas no mercado, com juros potencialmente mais altos em alguns casos.

📊 Número do Dia

25% , Participação das cooperativas no crédito rural brasileiro, ante 13% há dez anos

Por que isso importa

Para o produtor rural, especialmente o pequeno e médio, o avanço das cooperativas amplia as opções de financiamento e pode facilitar o acesso ao crédito. Para o governo, representa um alívio fiscal, mas também um desafio: garantir que o crédito chegue a quem mais precisa, mesmo com menos recursos públicos. Para o investidor, o movimento sinaliza oportunidades no setor de cooperativismo financeiro, que cresce em relevância no agronegócio brasileiro.


Fonte original: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/cooperativas-avancam-e-redesenham-o-financiamento-do-agro-brasileiro/