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domingo, 23 de agosto de 2026 Brasil

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Brasileiros lideram as duas maiores cervejarias do mundo

A Heineken anunciou ontem a contratação de Rafael Oliveira, de 51 anos, como seu novo CEO global. Com isso, as duas maiores cervejarias do planeta passam a ser lideradas por brasileiros — a AB InBev já tem Michel Doukeris no comando desde 2021.

Heineken contrata executivo brasileiro Rafael Oliveira como CEO global. Com Michel Doukeris na AB InBev, brasileiros lideram as duas maiores cervejarias do mundo.

A Heineken rompeu uma tradição de quase um século ao buscar fora de seus quadros um executivo para reverter a queda nas vendas. A escolha recaiu sobre o carioca Rafael Oliveira, de 51 anos, que assume em 1º de outubro. É apenas o segundo não-holandês a comandar a cervejaria em toda a sua história. A decisão sinaliza um esforço de renovação em uma empresa que enfrenta vendas fracas à medida que consumidores reduzem o consumo de álcool e apertam os gastos.

Com a chegada de Oliveira, as duas maiores companhias globais de cerveja terão brasileiros no comando. A holandesa Heineken ocupa a segunda posição mundial, atrás apenas da AB InBev — que reúne marcas como Brahma, Skol, Corona e Budweiser e é liderada desde 2021 por Michel Doukeris, natural de Lages (SC). É um mercado altamente concentrado: a Heineken produz cerca de metade do volume anual da AB InBev, e outras grandes cervejarias, como a dinamarquesa Carlsberg e a americana Molson Coors, estão bem mais distantes das duas líderes.

Perfis diferentes, desafios semelhantes

Rafael Oliveira traz uma trajetória que passa por finanças, alimentos e bebidas. Graduado em Economia, com MBA pela Universidade de Chicago, ele atuou por dez anos no banco Goldman Sachs e passou pela Kraft Heinz — gigante americana de alimentos controlada pelo trio de bilionários brasileiros Jorge Paulo Lemann, Alberto Sicupira e Marcel Telles. Na Kraft Heinz, chegou a presidente dos mercados internacionais, responsável por um portfólio superior a US$ 7 bilhões (cerca de R$ 42 bilhões) distribuído pela Europa, África, Ásia-Pacífico e América Latina. Mais recentemente, era CEO da JDE Peet’s, empresa de café e chá dona no Brasil das marcas Pilão e L’Or, onde ficou menos de dois anos.

Já Michel Doukeris, de 53 anos, é uma espécie de “prata da casa” da AB InBev. Ele entrou na companhia em 1996 e cresceu internamente até assumir o comando global em 2021, substituindo outro brasileiro, Carlos Brito, que ficou 15 anos no cargo. Formado em engenharia, Doukeris acumulou experiência na gestão de marcas e inovação, passando por operações comerciais em vários países, incluindo China e América do Norte. Sua gestão tem sido marcada pela continuidade do estilo agressivo em aquisições e foco em resultados — a mesma linha de seu antecessor.

O desafio da Heineken

A Heineken enfrenta vendas fracas em mercados estratégicos da Europa e das Américas. Em abril, a empresa informou queda no volume de vendas de cerveja no primeiro trimestre, ficando atrás de concorrentes como AB InBev e Carlsberg na recuperação pós-pandemia. A companhia está implementando um programa de redução de custos que inclui o corte de cerca de 7% de sua força de trabalho global — imagine uma empresa demitindo um em cada 14 funcionários para enxugar despesas.

A título de comparação, enquanto a Heineken luta para recuperar terreno, a AB InBev tem conseguido reposicionar marcas e enfrentar o crescimento dos rótulos artesanais, muitos dos quais a própria companhia passou a adquirir. A estratégia agressiva de Doukeris tem mantido a gigante belga à frente da concorrência global. Segundo analistas da Jefferies, Oliveira tem um histórico comprovado de “transformar estratégia em resultados financeiros mensuráveis”, o que pode reforçar uma cultura de alto desempenho na Heineken.

A Heineken ofereceu uma compensação financeira de quase € 25 milhões (cerca de R$ 150 milhões) a Oliveira por meio de ações da cervejaria — valor que compensa o bônus que ele deixou de receber ao sair da JDE Peet’s. Inicialmente, Oliveira ficará no cargo por um período limitado de quatro anos, segundo informou o Conselho de Administração da Heineken. Após o anúncio, as ações da Heineken dispararam na Bolsa de Amsterdã, sinalizando otimismo dos investidores com a mudança.

Otimismo em mercados emergentes

Apesar dos desafios na Europa e nas Américas, a Heineken declarou estar otimista em relação à demanda por cerveja em mercados emergentes, como Vietnã e África do Sul, onde populações mais jovens e o aumento da renda têm impulsionado as vendas. É uma estratégia semelhante à da AB InBev, que também aposta em países em desenvolvimento para compensar a desaceleração em mercados maduros. A empresa espera alcançar até € 500 milhões (cerca de R$ 3 bilhões) em economias anuais de produtividade com o programa de reestruturação.

📊 Número do Dia

2 , Número de brasileiros à frente das duas maiores cervejarias do mundo — Rafael Oliveira na Heineken e Michel Doukeris na AB InBev

Por que isso importa

Para o investidor, a chegada de um executivo com histórico em reestruturação sinaliza potencial de recuperação da Heineken, que ficou atrás de concorrentes na retomada pós-pandemia. Para o cidadão brasileiro, é um sinal da competência de profissionais formados no país em posições de liderança global — ambos os CEOs passaram por empresas controladas por bilionários brasileiros. Para as empresas, mostra que a experiência em mercados emergentes e a capacidade de transformar estratégia em resultados financeiros são cada vez mais valorizadas em um setor altamente competitivo e concentrado.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2026/06/24/guerra-global-da-cerveja-agora-e-verde-e-amarela-conheca-os-brasileiros-a-frente-das-duas-maiores-cervejarias-do-mundo.ghtml