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Novo ministro do Desenvolvimento apoia jornada de 40 horas

Márcio Elias Rosa afirma que medida segue tendência mundial, mas reconhece necessidade de negociação com empresários e Congresso
Homem de terno discursando em púlpito com bandeira do Brasil ao fundo e plateia presente em evento governamental
O novo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, manifestou apoio à redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais em sua posse nesta terça-feira (14). A medida ainda depende de diálogo com o setor produtivo e tramitação no Congresso Nacional.

O governo brasileiro apoia a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais (ou seja, de seis dias úteis para cinco), segundo o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Em sua posse nesta terça-feira (14), ele afirmou que a medida segue “uma tendência no mundo inteiro” e visa melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. A jornada de trabalho é o número de horas que um funcionário deve cumprir por semana — hoje, no Brasil, o padrão é 44 horas, distribuídas de segunda a sábado.

A proposta, porém, ainda precisa passar pelo crivo do setor empresarial e do Congresso Nacional. Segundo o ministro, a pasta acompanhará a orientação do governo federal sobre o tema, mas reconhece que a implementação exigirá negociação. A título de comparação, países como França e Alemanha já adotam jornadas de 35 a 40 horas semanais há décadas, com estudos indicando ganhos de produtividade e bem-estar.

Prioridade: concluir o que está em andamento

Ao assumir o cargo, Márcio Elias deixou claro que 2026 será um ano de consolidação, não de novos projetos. “A nossa grande entrega para esse ano é a conclusão de todos os projetos que estão em andamento”, afirmou o ministro, segundo a Agência Brasil. Entre as iniciativas prioritárias está a Nova Indústria Brasil, programa que busca atrair investimentos (dinheiro de empresas nacionais e estrangeiras) para fortalecer a produção industrial do país.

Outra frente importante é o Redata, regime que oferece incentivos fiscais (redução de impostos) para empresas que investirem em data centers — grandes instalações que armazenam e processam dados digitais, essenciais para serviços como streaming, redes sociais e inteligência artificial. O programa perdeu validade em fevereiro, após a Medida Provisória que o criava expirar, e agora depende de aprovação no Congresso.

Acordos comerciais e defesa da indústria

No comércio exterior, o ministro destacou a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, prevista para 1º de maio. O tratado permitirá que produtos brasileiros entrem na Europa com tarifas (impostos sobre importação) reduzidas ou zeradas, facilitando exportações. Segundo Márcio Elias, o governo também busca avançar em negociações com Canadá e México até o final do ano.

Ao mesmo tempo, o ministro defendeu medidas de proteção à indústria nacional, como a manutenção da chamada “taxa das blusinhas” — tarifa sobre produtos importados de baixo custo, especialmente de plataformas asiáticas. “Somos favoráveis à ‘taxa das blusinhas’ como forma de proteção sobretudo da indústria têxtil e de calçados”, afirmou. É como se o governo cobrasse um pedágio extra sobre roupas baratas vindas de fora, para que as fábricas brasileiras não sejam esmagadas pela concorrência desleal.

Número do dia

40 horas — a jornada semanal proposta pelo governo, quatro horas a menos que as 44 atuais. A mudança representaria uma redução de cerca de 9% no tempo de trabalho obrigatório.

Por que isso importa

Para o trabalhador, a redução da jornada pode significar mais tempo livre sem perda salarial — mas tudo depende de como a lei será redigida. Para as empresas, especialmente pequenas e médias, a medida pode elevar custos se exigir contratações adicionais para cobrir as horas reduzidas. Já os acordos comerciais e a defesa da indústria nacional afetam diretamente o preço dos produtos nas prateleiras: tarifas sobre importados podem encarecer roupas e eletrônicos, enquanto acordos como o Mercosul-UE podem baratear alimentos e bens exportados. O investidor, por sua vez, acompanha de perto o Redata e a Nova Indústria Brasil, que sinalizam setores prioritários para aportes de capital.

📊 Número do Dia

40 horas — Jornada semanal de trabalho proposta pelo governo, 4 horas a menos que as 44 atuais — redução de cerca de 9%

Por que isso importa

Para o trabalhador, a redução da jornada pode significar mais tempo livre sem perda salarial — mas tudo depende de como a lei será redigida. Para as empresas, especialmente pequenas e médias, a medida pode elevar custos se exigir contratações adicionais. Já os acordos comerciais e a defesa da indústria nacional afetam diretamente o preço dos produtos: tarifas sobre importados podem encarecer roupas e eletrônicos, enquanto acordos como o Mercosul-UE podem baratear alimentos exportados.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/novo-ministro-do-desenvolvimento-apoia-jornada-de-40-horas

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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