A proposta de R$ 15 bilhões surge como uma tentativa de resolver a crise do BRB, banco público do Distrito Federal que enfrenta prejuízos bilionários após comprar carteiras de crédito do Banco Master. Segundo o governo local, a negociação prevê R$ 4 bilhões em pagamento à vista e R$ 11 bilhões por meio de instrumentos financeiros atrelados aos ativos — uma espécie de pagamento parcelado vinculado ao desempenho desses créditos. A operação não envolve recursos públicos e depende de aval do Banco Central (BC), que regula o sistema financeiro brasileiro.
Para entender o tamanho do problema: o BRB precisará provisionar (ou seja, reservar em caixa) cerca de R$ 8,8 bilhões para cobrir possíveis perdas com esses ativos, segundo o próprio banco. Uma auditoria independente, porém, apontou que o buraco pode ser ainda maior — R$ 13 bilhões. É como se o banco tivesse comprado um imóvel por um preço alto e descoberto depois que ele vale muito menos, precisando agora guardar dinheiro para cobrir o prejuízo. A Polícia Federal investiga suspeitas de fraude na compra de cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos do Banco Master, que foi liquidado (fechado) pelo BC após tentativa frustrada de venda ao BRB.
A crise do BRB não é um caso isolado no Brasil, mas chama atenção pela magnitude. Bancos públicos regionais já enfrentaram problemas semelhantes no passado — o Banco do Estado de São Paulo (Banespa) foi federalizado nos anos 1990 após acumular prejuízos bilionários. A título de comparação, nos Estados Unidos, a crise bancária de 2023 levou à falência do Silicon Valley Bank após perdas com títulos de dívida, mas o sistema americano conta com mecanismos de resolução mais ágeis. No Brasil, o BC tem sido mais cauteloso, exigindo provisões robustas antes de aprovar operações de venda de ativos problemáticos.
Segundo o governo do DF, os ativos do Master considerados saudáveis estão avaliados em R$ 21,9 bilhões. Se a proposta de R$ 15 bilhões for aceita, representa um desconto de cerca de 32% sobre esse valor — reflexo da incerteza sobre a qualidade real desses créditos. O governo não divulgou quem são os investidores do fundo proponente, quais ativos específicos estão na negociação, nem como será estruturado o pagamento dos R$ 11 bilhões restantes. Também não está claro se a operação precisará passar pela Câmara Legislativa do DF.
O que levou à crise
A origem do problema remonta à gestão anterior do governo do DF, quando o BRB comprou carteiras de crédito e ativos de baixa liquidez (difíceis de vender rapidamente) do Banco Master. Celina Leão era vice-governadora na época da negociação e assumiu o comando do Executivo em 30 de março, após Ibaneis Rocha deixar o governo para concorrer ao Senado. O BC chegou a impedir que o BRB comprasse o Master inteiro e, em seguida, liquidou a instituição, encaminhando as suspeitas de fraudes à Polícia Federal. A deterioração patrimonial do BRB gerou uma crise de confiança — clientes e investidores passaram a questionar a solidez do banco.
Próximos passos
A proposta será encaminhada formalmente ao Banco Central, que analisará a viabilidade da operação. Nos últimos dias, a governadora e o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, se reuniram com investidores e autoridades do setor financeiro em São Paulo. Na quinta-feira (9), Celina encontrou-se com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para apresentar o plano de recuperação do banco. Ela não deu detalhes do encontro, informando apenas que a reunião foi técnica e institucional. O BC costuma levar semanas ou meses para aprovar operações desse tipo, exigindo análises detalhadas sobre a capacidade financeira dos compradores e o impacto no sistema financeiro.
📊 Número do Dia
R$ 15 bilhões — Valor da proposta de um fundo de investimentos para comprar ativos do Banco Master incorporados pelo BRB, representando desconto de 32% sobre a avaliação dos ativos saudáveis
Por que isso importa
Para o cidadão do DF, a venda pode evitar que recursos públicos sejam usados para cobrir o rombo do BRB — o que poderia comprometer investimentos em saúde, educação e infraestrutura. Para investidores, a operação sinaliza o apetite do mercado por ativos problemáticos com desconto, mas também expõe os riscos de bancos públicos regionais. Para o sistema financeiro, a resolução da crise do BRB é crucial para evitar contágio e preservar a confiança no setor bancário brasileiro, especialmente em ano eleitoral.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/fundo-oferece-r-15-bi-por-ativos-do-brb-ligados-ao-master-diz-gdf












