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Fundo oferece R$ 15 bilhões por ativos do BRB

Proposta busca resolver crise bilionária do banco público após compra controversa de carteiras do Banco Master
Executiva em coletiva de imprensa sobre Fundo de Investimentos BRB com proposta de R$ 15 bilhões para ativos financeiros
Um fundo de investimentos apresentou proposta de R$ 15 bilhões para adquirir parte dos ativos do Banco Master que foram incorporados pelo Banco de Brasília (BRB), segundo anunciou a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, nesta sexta-feira (10). A operação ainda depende de aprovação do Banco Central.

A proposta de R$ 15 bilhões surge como uma tentativa de resolver a crise do BRB, banco público do Distrito Federal que enfrenta prejuízos bilionários após comprar carteiras de crédito do Banco Master. Segundo o governo local, a negociação prevê R$ 4 bilhões em pagamento à vista e R$ 11 bilhões por meio de instrumentos financeiros atrelados aos ativos — uma espécie de pagamento parcelado vinculado ao desempenho desses créditos. A operação não envolve recursos públicos e depende de aval do Banco Central (BC), que regula o sistema financeiro brasileiro.

Para entender o tamanho do problema: o BRB precisará provisionar (ou seja, reservar em caixa) cerca de R$ 8,8 bilhões para cobrir possíveis perdas com esses ativos, segundo o próprio banco. Uma auditoria independente, porém, apontou que o buraco pode ser ainda maior — R$ 13 bilhões. É como se o banco tivesse comprado um imóvel por um preço alto e descoberto depois que ele vale muito menos, precisando agora guardar dinheiro para cobrir o prejuízo. A Polícia Federal investiga suspeitas de fraude na compra de cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos do Banco Master, que foi liquidado (fechado) pelo BC após tentativa frustrada de venda ao BRB.

A crise do BRB não é um caso isolado no Brasil, mas chama atenção pela magnitude. Bancos públicos regionais já enfrentaram problemas semelhantes no passado — o Banco do Estado de São Paulo (Banespa) foi federalizado nos anos 1990 após acumular prejuízos bilionários. A título de comparação, nos Estados Unidos, a crise bancária de 2023 levou à falência do Silicon Valley Bank após perdas com títulos de dívida, mas o sistema americano conta com mecanismos de resolução mais ágeis. No Brasil, o BC tem sido mais cauteloso, exigindo provisões robustas antes de aprovar operações de venda de ativos problemáticos.

Segundo o governo do DF, os ativos do Master considerados saudáveis estão avaliados em R$ 21,9 bilhões. Se a proposta de R$ 15 bilhões for aceita, representa um desconto de cerca de 32% sobre esse valor — reflexo da incerteza sobre a qualidade real desses créditos. O governo não divulgou quem são os investidores do fundo proponente, quais ativos específicos estão na negociação, nem como será estruturado o pagamento dos R$ 11 bilhões restantes. Também não está claro se a operação precisará passar pela Câmara Legislativa do DF.

O que levou à crise

A origem do problema remonta à gestão anterior do governo do DF, quando o BRB comprou carteiras de crédito e ativos de baixa liquidez (difíceis de vender rapidamente) do Banco Master. Celina Leão era vice-governadora na época da negociação e assumiu o comando do Executivo em 30 de março, após Ibaneis Rocha deixar o governo para concorrer ao Senado. O BC chegou a impedir que o BRB comprasse o Master inteiro e, em seguida, liquidou a instituição, encaminhando as suspeitas de fraudes à Polícia Federal. A deterioração patrimonial do BRB gerou uma crise de confiança — clientes e investidores passaram a questionar a solidez do banco.

Próximos passos

A proposta será encaminhada formalmente ao Banco Central, que analisará a viabilidade da operação. Nos últimos dias, a governadora e o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, se reuniram com investidores e autoridades do setor financeiro em São Paulo. Na quinta-feira (9), Celina encontrou-se com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para apresentar o plano de recuperação do banco. Ela não deu detalhes do encontro, informando apenas que a reunião foi técnica e institucional. O BC costuma levar semanas ou meses para aprovar operações desse tipo, exigindo análises detalhadas sobre a capacidade financeira dos compradores e o impacto no sistema financeiro.

📊 Número do Dia

R$ 15 bilhões — Valor da proposta de um fundo de investimentos para comprar ativos do Banco Master incorporados pelo BRB, representando desconto de 32% sobre a avaliação dos ativos saudáveis

Por que isso importa

Para o cidadão do DF, a venda pode evitar que recursos públicos sejam usados para cobrir o rombo do BRB — o que poderia comprometer investimentos em saúde, educação e infraestrutura. Para investidores, a operação sinaliza o apetite do mercado por ativos problemáticos com desconto, mas também expõe os riscos de bancos públicos regionais. Para o sistema financeiro, a resolução da crise do BRB é crucial para evitar contágio e preservar a confiança no setor bancário brasileiro, especialmente em ano eleitoral.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/fundo-oferece-r-15-bi-por-ativos-do-brb-ligados-ao-master-diz-gdf

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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