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Mercado de perfumaria cresce com consumidores mais exigentes

Brasileiros compram três ou mais fragrâncias por ano, priorizando frascos menores e práticas sustentáveis na decisão de compra
Mulher de camisa bege usando lupa para examinar smartphone em loja de perfumes com frascos coloridos mercado cosméticos
O mercado brasileiro de perfumaria passa por transformação em 2026, com consumidores mais informados que priorizam fragrâncias personalizadas e sustentáveis. Dois terços dos compradores adquiriram três ou mais perfumes no último ano, segundo levantamento da YipitData.

O comportamento do consumidor brasileiro de perfumes mudou radicalmente. Segundo dados da YipitData divulgados pela Abplast (associação da indústria de plástico), dois terços dos brasileiros compraram três ou mais fragrâncias no último ano. O crescimento é impulsionado por lançamentos inovadores e formatos menores — como frascos de 10ml e 30ml — que permitem experimentar diferentes perfumes sem comprometer o orçamento.

Paula Castilho, diretora de marketing do e-commerce Gold Glow, identifica uma mudança fundamental: “Antes, a escolha de perfumes era fortemente influenciada por grandes marcas e campanhas publicitárias. Hoje, há uma migração para decisões mais racionais e personalizadas”. O consumidor passou a pesquisar mais antes da compra, utilizando redes sociais, blogs e avaliações para entender a composição das fragrâncias.

Gerações com preferências distintas

As preferências variam conforme a faixa etária. Entre consumidores acima de 55 anos, predominam perfumes clássicos, enquanto a Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) destina um terço do orçamento para body sprays e colônias leves. Essa diferença reflete não apenas gostos, mas também valores: os mais jovens priorizam produtos que expressem individualidade e estilo de vida.

A busca por exclusividade ganhou força. Segundo Castilho, existe um movimento crescente de consumidores que evitam fragrâncias muito populares e criam suas próprias combinações — prática conhecida como layering (sobrepor diferentes perfumes para criar um aroma único). “Fragrâncias exclusivas ou menos distribuídas geram sensação de diferenciação social e identidade única”, explica a executiva.

Sustentabilidade como exigência

A pesquisa da YipitData destaca que sustentabilidade e responsabilidade ambiental se tornaram exigências do consumidor. Frascos recarregáveis e cadeias de produção éticas deixaram de ser diferenciais para se tornarem requisitos básicos. Essa tendência alinha o Brasil com movimentos globais: na França, por exemplo, grandes marcas como Chanel e Dior já oferecem sistemas de recarga em suas lojas desde 2023, reduzindo o desperdício de embalagens.

O Sebrae aponta que o Brasil ocupa a terceira posição global tanto em consumo quanto em lançamento de produtos de beleza. Acompanhar essas tendências permite às empresas atender consumidores mais informados e exigentes, que buscam transparência sobre ingredientes, processos de fabricação e impacto ambiental.

O papel do e-commerce

O comércio eletrônico consolidou-se como principal canal de descoberta e compra de perfumes. Castilho explica que “muitos consumidores descobrem perfumes pela internet, pesquisam avaliações e só então tomam a decisão de compra, muitas vezes sem sequer testar fisicamente antes”. O digital também permite explorar nichos que não teriam espaço no varejo tradicional, como fragrâncias de marcas independentes ou importadas em pequenas quantidades.

A produção de conteúdo educativo — como vídeos explicando a “pirâmide olfativa” (as camadas de notas que compõem um perfume) ou comparações entre produtos similares — tornou-se estratégia essencial. É como se o perfume deixasse de ser vendido apenas pelo cheiro e passasse a ser apresentado como uma história completa, com ingredientes, inspiração e público-alvo bem definidos.

📊 Número do Dia

2/3 , dos consumidores brasileiros compraram três ou mais fragrâncias no último ano, segundo a YipitData

Por que isso importa

Para o consumidor, a mudança significa mais opções personalizadas e acesso a informações que permitem escolhas mais conscientes. Para empresas do setor, representa a necessidade de investir em transparência, sustentabilidade e conteúdo educativo — não basta mais ter uma marca famosa. O Brasil, como terceiro maior mercado global de beleza, torna-se laboratório para tendências que podem se espalhar por outros países emergentes.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/patrocinado/dino/noticia/2026/04/01/perfumaria-avanca-com-consumo-orientado-por-identidade-1.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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