O Brasil tem diesel suficiente para atender à demanda nacional nos próximos dois meses, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). O secretário de Petróleo e Gás da agência, Renato Dutra, afirmou que o fluxo de combustível está garantido tanto pela produção interna quanto pelas importações programadas. A declaração busca acalmar o mercado em meio a temores de desabastecimento provocados por conflitos no Oriente Médio — região que concentra grande parte da produção mundial de petróleo.
Para monitorar o mercado, o governo criou no fim de fevereiro uma sala de acompanhamento que se reúne a cada 48 horas. Participam desse grupo órgãos públicos e agentes do setor, como produtores, importadores, refinadores e distribuidores. O objetivo é analisar continuamente o balanço entre oferta (quanto diesel está disponível) e demanda (quanto o país precisa consumir). Segundo Dutra, eventuais relatos de falta de combustível são pontuais e precisam ser investigados caso a caso, inclusive para verificar se há recusa indevida de fornecimento — prática ilegal em que distribuidores retêm produto para forçar alta de preços.
Paralelamente, o governo intensificou a fiscalização contra preços abusivos. Desde 9 de março, forças-tarefas com participação da Polícia Federal, Ministério da Justiça e Procons estaduais atuaram em 50 cidades de 12 estados. Foram fiscalizados 342 agentes regulados, incluindo 78 distribuidores. Desses, 16 foram autuados por prática de preços abusivos — em alguns casos, a margem de lucro da distribuição (a diferença entre o preço de compra e venda) superou 270% em apenas uma semana. Para contextualizar: uma margem normal no setor gira em torno de 5% a 10%.
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) informou que os Procons já fiscalizaram 3.181 postos de gasolina em 190 municípios e nos 27 estados. Foram emitidas mais de 1.785 notificações — avisos formais que podem resultar em multas ou outras sanções. Na última semana, em apenas quatro dias, foram fiscalizados 1.126 postos. A operação agora se estende também para rodovias, em parceria com a Polícia Rodoviária Federal, alcançando estados como Paraíba, Maranhão, Distrito Federal, Bahia e Espírito Santo.
A título de comparação, episódios semelhantes de volatilidade no mercado de combustíveis ocorreram em outros países emergentes. Na Índia, por exemplo, o governo também recorreu a estoques estratégicos e fiscalização de preços durante crises de abastecimento provocadas por tensões geopolíticas. A diferença é que o Brasil depende menos de importações de diesel do que a Índia — cerca de 20% do consumo brasileiro vem de fora, contra mais de 40% no caso indiano, segundo dados públicos da Agência Internacional de Energia.
📊 Número do Dia
270% , Margem de lucro abusiva registrada por distribuidores de combustível em uma semana — muito acima dos 5% a 10% considerados normais no setor
Por que isso importa
Para o cidadão, a garantia de abastecimento até abril evita filas nos postos e reduz o risco de paralisações no transporte de cargas e passageiros. Para empresas que dependem de logística — como supermercados, indústrias e transportadoras —, a estabilidade no fornecimento de diesel é essencial para manter operações e evitar aumento de custos. Já a fiscalização de preços abusivos busca proteger o consumidor final de repasses injustificados, que encarecem não apenas o combustível, mas toda a cadeia de produtos que dependem de transporte.
Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/03/26/governo-afirma-que-abastecimento-de-diesel-esta-garantido-ate-abril.ghtml












