O principal programa habitacional do país acaba de ficar mais acessível. O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) — o fundo formado pelos depósitos mensais que as empresas fazem para seus funcionários — aprovou novas regras para o Minha Casa, Minha Vida (MCMV). A mudança mais significativa é a ampliação dos tetos de renda mensal em todas as quatro faixas do programa: a Faixa 1 passou de R$ 2.850 para R$ 3.200; a Faixa 2, de R$ 4.700 para R$ 5.000; a Faixa 3, de R$ 8.600 para R$ 9.600; e a Faixa 4, de R$ 12 mil para R$ 13 mil.
Para entender o impacto, pense no programa como uma escada com quatro degraus, onde cada degrau oferece condições diferentes de financiamento. Quanto menor a renda da família, mais ajuda ela recebe do governo na forma de juros menores e subsídios (um desconto direto no valor do imóvel). Com a ampliação dos limites, famílias que antes ficavam de fora por ganhar alguns reais a mais agora conseguem entrar no programa. Segundo o governo, 87,5 mil famílias passarão a pagar juros menores, 31,3 mil novas famílias serão incluídas na Faixa 3 e 8,2 mil na Faixa 4.
Além da renda, os valores máximos de financiamento também subiram nas faixas superiores. Na Faixa 3, o limite passou de R$ 350 mil para R$ 400 mil (aumento de 14%), e na Faixa 4, de R$ 500 mil para R$ 600 mil (alta de 20%). Isso significa que famílias de classe média poderão comprar imóveis mais caros usando as condições facilitadas do programa — especialmente importante num momento em que os juros estão elevados e o crédito imobiliário tradicional ficou mais caro.
A ampliação será financiada com recursos do Fundo Social, que destinará cerca de R$ 31 bilhões ao programa, com previsão de uso a partir do segundo semestre. A equipe técnica estima um impacto de R$ 500 milhões em subsídios diretos e R$ 3,6 bilhões em crédito habitacional. A título de comparação, programas habitacionais em países como México e Chile também usam fundos públicos para subsidiar moradias, mas o Brasil se destaca pelo volume de recursos mobilizados — o MCMV é um dos maiores programas de habitação popular da América Latina.
O Conselho também aprovou a retomada do FGTS-Saúde, voltado a entidades filantrópicas que atendem ao Sistema Único de Saúde (SUS), com prazos ampliados de até 30 anos para obras. A medida gerou resistência de representantes do setor privado, que criticaram o uso de recursos do FGTS para reestruturação de instituições — a Confederação Nacional do Comércio votou contra.
📊 Número do Dia
127 mil — famílias serão beneficiadas com a ampliação do Minha Casa, Minha Vida, entre novas inclusões e redução de juros
Por que isso importa
Para o cidadão, a mudança significa que mais famílias de classe média poderão acessar financiamento habitacional com juros menores num momento em que o crédito tradicional está caro. Para o setor da construção civil, a ampliação dos limites de financiamento pode aquecer a demanda por imóveis de até R$ 600 mil, especialmente em regiões metropolitanas onde os preços são mais altos. Para o investidor, a medida sinaliza que o governo está disposto a usar recursos públicos para sustentar o mercado imobiliário, o que pode beneficiar construtoras e bancos que operam com crédito habitacional.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/fgts-eleva-para-r-13-mil-limite-de-renda-do-minha-casa-minha-vida












