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Brasil mais protegido contra choques externos, diz Itaú

Superávit petrolífero e Selic elevada formam dupla proteção contra turbulências do Oriente Médio, segundo análise do banco
Estrutura geodésica transparente protegendo paisagem verde com rio, simbolizando proteção econômica resiliente
A economia brasileira está mais preparada para enfrentar choques externos do que no passado, segundo análise do Itaú divulgada nesta quarta-feira (19). A taxa Selic elevada e o superávit em petróleo na balança comercial funcionam como amortecedores diante da guerra no Oriente Médio.

O Brasil construiu dois escudos econômicos que ajudam a proteger o país de turbulências internacionais. Segundo análise do Itaú publicada pela Folha de S.Paulo, a taxa Selic (o juro básico da economia, que hoje está em patamar elevado) e o superávit em petróleo (quando o país exporta mais petróleo do que importa) formam uma dupla de proteção contra os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a economia brasileira.

A lógica é simples: quando há conflitos em regiões produtoras de petróleo, o preço do barril costuma subir no mercado internacional — o que encarece combustíveis, pressiona a inflação e pode desvalorizar a moeda de países importadores. Contudo, o Brasil, que hoje vende mais petróleo do que compra, acaba se beneficiando dessa alta de preços, compensando parte dos efeitos negativos. Ou seja, é como se o país tivesse um seguro: quando o petróleo fica mais caro lá fora, o Brasil recebe mais dólares pelas suas exportações.

O papel do juro alto

A Selic elevada, por sua vez, funciona como um ímã para investidores estrangeiros. De fato, juros altos tornam os títulos públicos brasileiros mais atraentes, o que ajuda a segurar o dólar e evita uma fuga de capitais em momentos de crise global. Embora essa taxa encareça o crédito para empresas e consumidores no Brasil, ela cria uma barreira contra a volatilidade externa — sobretudo importante quando mercados globais entram em pânico.

A título de comparação, países emergentes importadores de petróleo, como Turquia e Índia, sofrem duplamente em cenários de conflito no Oriente Médio: pagam mais caro pela energia e ainda enfrentam fuga de capitais. Por outro lado, o Brasil, neste momento, está do outro lado da equação.

Contexto histórico

A mudança de posição do Brasil na balança petrolífera é relativamente recente. Anteriormente, até meados da década de 2010, o país ainda importava volumes significativos de petróleo refinado. Posteriormente, o avanço da produção no pré-sal inverteu essa equação: hoje, o Brasil é exportador líquido, com superávit robusto no setor. Dessa forma, segundo dados públicos da balança comercial, as exportações de petróleo e derivados superam as importações em bilhões de dólares anualmente.

📊 Número do Dia

2 escudos — Selic alta e superávit em petróleo protegem o Brasil de choques externos, segundo o Itaú

Por que isso importa

Para o cidadão, portanto, essa proteção significa que os efeitos da guerra sobre a inflação e o preço dos combustíveis podem ser menores do que seriam no passado. Para o investidor, além disso, sinaliza que o Brasil tem mais resiliência diante de crises globais, o que reduz o risco de desvalorização abrupta do real. Por conseguinte, para empresas, especialmente as ligadas ao setor de energia, o cenário reforça a importância estratégica do pré-sal como ativo de proteção econômica.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/03/selic-alta-e-superavit-de-petroleo-ajudam-a-amortecer-impacto-economico-da-guerra-diz-itau.shtml

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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