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Brasil ratifica acordo Mercosul-União Europeia após 26 anos

Zona de livre comércio entre os blocos abrangerá 718 milhões de habitantes e movimentará R$ 113 trilhões
Cinco pessoas caminham sob arco de pedra histórico com número 26, representando integração comercial Mercosul-UE
O Congresso Nacional promulgou nesta terça-feira (17) o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, concluindo a ratificação brasileira após 26 anos de negociações iniciadas em 1999.

O Brasil completou nesta terça-feira (17) a última etapa para entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, após o Congresso Nacional promulgar o tratado em sessão solene. Segundo a Agência Brasil, a ratificação ocorreu menos de dois meses após a assinatura dos termos finais em Assunção, no Paraguai, no fim de janeiro. Da mesma forma, Argentina, Uruguai e Paraguai, os demais sócios do Mercosul, também já concluíram a aprovação interna.

O acordo cria uma zona de livre comércio que reúne 718 milhões de habitantes e cerca de R$ 113 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB, que é a soma de todos os bens e serviços produzidos em uma economia). Para ter uma ideia da dimensão, isso representa cerca de um quarto da economia mundial — como se juntássemos as economias de Estados Unidos e China em um único bloco comercial. Conforme dados da Agência Brasil, o Mercosul vai zerar tarifas (impostos cobrados sobre produtos importados) sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos, enquanto por sua vez a União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos bens vendidos pelo Mercosul em até 12 anos.

Do lado europeu, porém, ainda há pendências. O Parlamento Europeu pediu em janeiro que o Tribunal de Justiça do bloco faça uma avaliação jurídica sobre o acordo, mas a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garantiu que o tratado será aplicado de forma provisória a partir de maio. Isso significa que, mesmo sem aprovação definitiva de todos os parlamentos nacionais europeus, as regras comerciais começarão a valer — ou seja, um procedimento comum em acordos da União Europeia para acelerar benefícios econômicos.

O que muda na prática

Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, estimativas do governo mostram que o acordo vai gerar impacto positivo em praticamente todas as variáveis macroeconômicas: expansão do PIB, aumento das exportações, geração de empregos, atração de investimentos, redução de custos e maior oferta de produtos ao consumidor. A União Europeia é a segunda maior parceira comercial do Brasil, com uma corrente de comércio (soma de exportações e importações) que superou os US$ 100 bilhões em 2025, conforme dados do Ministério das Relações Exteriores.

A título de comparação, o acordo entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA), que também criou uma zona de livre comércio na América do Norte, movimenta cerca de US$ 1,3 trilhão por ano — mas envolve economias com integração muito mais profunda e geograficamente contíguas. O tratado Mercosul-UE é significativo justamente por conectar dois blocos separados pelo Atlântico, com cadeias produtivas complementares: o Mercosul exporta principalmente commodities agrícolas e minerais, enquanto por outro lado a Europa vende bens industrializados de maior valor agregado.

Para evitar que a abertura comercial prejudique setores sensíveis da economia brasileira, o governo editou há duas semanas um decreto que regulamenta salvaguardas — mecanismos de proteção temporária que funcionam como um freio de emergência. Dessa forma, conforme a Agência Brasil, essas medidas poderão ser aplicadas quando as importações de um produto aumentarem em quantidade e condições que causem ou ameacem causar prejuízo grave à indústria doméstica, seja no setor industrial ou agrícola.

📊 Número do Dia

26 anos — Tempo de negociação entre Mercosul e União Europeia, desde o início das tratativas em 1999 até a assinatura final em 2026

Por que isso importa

Para o consumidor brasileiro, o acordo significa acesso a produtos europeus mais baratos, de vinhos a eletrônicos, conforme as tarifas forem sendo eliminadas ao longo de 15 anos. Para empresas exportadoras, especialmente do agronegócio, abre-se um mercado de 450 milhões de consumidores europeus com renda elevada. Além disso, para investidores, o tratado reduz incertezas e pode atrair capital europeu para setores como infraestrutura e tecnologia. Em um momento de fragmentação do comércio global — com Estados Unidos e China em disputa tarifária —, por isso o Brasil aposta na diversificação de parceiros para reduzir vulnerabilidades externas.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/congresso-nacional-promulga-acordo-mercosul-uniao-europeia

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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