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Dólar cai 1,6% com alívio no petróleo

Expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz reduz tensões geopolíticas e impulsiona recuperação dos mercados brasileiros
Cédula brasileira de real e nota de dólar americano dispostas sobre mesa de madeira com pequenos barris de petróleo miniatura, câmbio
O dólar comercial fechou em queda de 1,60% nesta segunda-feira (16), cotado a R$ 5,229, após dois pregões consecutivos de alta que levaram a moeda acima de R$ 5,30. A Bolsa de Valores brasileira (B3) também reagiu positivamente, com o Ibovespa avançando 1,25% e encerrando aos 179.875 pontos.

O mercado financeiro brasileiro teve um dia de alívio nesta segunda-feira (16), impulsionado pela queda do petróleo no mercado internacional. Dessa forma, o dólar comercial (a cotação usada nas transações entre empresas e bancos) encerrou as negociações a R$ 5,229, com recuo de R$ 0,085 (-1,60%). Além disso, a moeda chegou a encostar em R$ 5,28 durante a manhã, mas despencou à tarde, até fechar próxima da mínima do dia, segundo dados da Agência Brasil.

Apesar da queda nesta segunda, o dólar ainda acumula alta de 1,87% em março. No acumulado do ano, contudo, a moeda registra queda de 4,72% em relação ao real — movimento que reflete tanto fatores externos quanto a atratividade dos juros brasileiros para investidores estrangeiros.

Petróleo puxa alívio global

O principal fator por trás da melhora no humor dos mercados foi a queda nas cotações do petróleo. Por conseguinte, a commodity (bem primário com cotação internacional, como minério de ferro ou soja) recuou diante da expectativa de retomada gradual do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da oferta global de petróleo. Assim, o contrato do petróleo do tipo Brent (usado nas negociações internacionais) para maio fechou em queda de 2,84%, embora o barril ainda permaneça acima de US$ 100 e acumule valorização de 40% no mês.

Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também ajudaram a reduzir a tensão geopolítica. De fato, ele afirmou que o acesso ao estreito poderá ser restabelecido em breve e indicou que há interlocutores no Irã dispostos a dialogar. Com as declarações e a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, os investidores desmontaram posições defensivas montadas na sexta-feira anterior, quando havia receio de escalada da guerra no Oriente Médio.

Bolsa reage e sobe 1,25%

No mercado de ações, o principal índice da B3 também reagiu positivamente ao ambiente externo e se recuperou após duas quedas seguidas. O Ibovespa (índice que reúne as ações das principais empresas negociadas na Bolsa brasileira) avançou 1,25%, encerrando o pregão aos 179.875 pontos, após ultrapassar momentaneamente os 181 mil pontos durante a sessão. Portanto, o desempenho refletiu a melhora na percepção de risco global e a queda das cotações do petróleo, fatores que ajudaram a aliviar a pressão sobre os mercados financeiros.

A título de comparação, o movimento brasileiro acompanhou o desempenho de outros mercados emergentes. Da mesma forma, enquanto o real registrou um dos melhores desempenhos entre essas moedas, bolsas de países como México e Turquia também apresentaram recuperação, beneficiadas pela redução da aversão ao risco global.

Tesouro intervém e juros caem

No cenário doméstico, operadores também apontam como fator positivo as intervenções do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos. Ou seja, o órgão realizou duas operações de recompra de papéis (quando o governo compra de volta seus próprios títulos de dívida antes do vencimento), ampliando a liquidez e reduzindo tensões na curva de juros. Em seguida, a movimentação ajudou a derrubar as taxas de contratos de Depósito Interfinanceiro (DI, que funcionam como termômetro das expectativas de juros futuros), que registraram quedas superiores a 30 pontos-base (0,3 ponto percentual) em alguns vencimentos.

Copom decide juros na quarta

Investidores também ajustam posições antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, marcada para quarta-feira (18). A expectativa predominante no mercado é de corte mais moderado da taxa Selic (o juro básico da economia, usado pelo governo para controlar a inflação), possivelmente de 0,25 ponto percentual, levando os juros de 15% para 14,75% ao ano. Por outro lado, parte dos analistas já considera a possibilidade de manutenção da taxa diante das pressões inflacionárias provocadas pela alta recente do petróleo.

Mesmo com eventual redução, o diferencial de juros do Brasil continuará elevado — é como se o país oferecesse uma remuneração muito maior do que outros países para quem empresta dinheiro ao governo. Visto que isso tende a sustentar a atratividade do real para investidores internacionais, funcionando como um imã para dólares que entram no país em busca de rentabilidade.

📊 Número do Dia

R$ 5,229 — Menor cotação do dólar em três dias, com queda de 1,60% impulsionada pela redução da tensão geopolítica no Oriente Médio

Por que isso importa

A queda do dólar alivia a pressão sobre a inflação brasileira, já que produtos importados e combustíveis ficam mais baratos quando a moeda americana recua. Além disso, para empresas que dependem de insumos importados, o movimento representa redução de custos. Por exemplo, para o cidadão, a tendência é de menor pressão sobre preços no supermercado e no posto de gasolina. Já para investidores, sobretudo, a volatilidade recente reforça a importância de acompanhar tanto o cenário geopolítico quanto

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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