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Apoio ao fim da escala 6×1 atinge 71% dos brasileiros

Proposta em debate no Congresso pode transformar rotina laboral de milhões e aproximar país dos padrões internacionais
Balança gigante com grupo de trabalhadores felizes de um lado e engrenagens mecânicas do outro, representando jornada trabalho
Sete em cada dez brasileiros apoiam o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho seguidos por um de folga), segundo pesquisa Datafolha divulgada em março de 2026. O percentual de 71% representa um avanço em relação ao levantamento anterior, realizado no final de 2024.

A maioria dos brasileiros quer mudar a forma como o país trabalha. De fato, pesquisa Datafolha divulgada em 14 de março de 2026 mostra que 71% da população apoia o fim da escala 6×1 — ou seja, o regime em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e folga apenas um. Portanto, a proposta está atualmente em debate no Congresso Nacional e pode alterar profundamente a rotina de milhões de brasileiros.

A escala 6×1 é comum em setores como comércio, serviços e indústria. Funciona assim: o trabalhador cumpre jornada durante seis dias seguidos (geralmente incluindo sábados e domingos) e tem direito a apenas um dia de descanso por semana. Consequentemente, para muitos, isso significa ver a família apenas uma vez a cada sete dias, com impactos diretos na qualidade de vida e na saúde mental.

O crescimento do apoio popular à mudança reflete um movimento mais amplo. Segundo o Datafolha, a percepção favorável ao fim dessa escala avançou em relação ao levantamento de dezembro de 2024, embora o texto não especifique o percentual anterior. Além disso, a discussão ganhou força nas redes sociais e entre movimentos sindicais, que argumentam que a escala 6×1 é exaustiva e incompatível com padrões modernos de bem-estar no trabalho.

O Brasil na contramão internacional

A título de comparação, a França adota a semana de trabalho de 35 horas desde 2000, com forte proteção ao descanso semanal. Na Alemanha, por outro lado, a jornada média é de 40 horas semanais, com dois dias de folga garantidos — muito diferente da realidade brasileira, onde a escala 6×1 permite até 44 horas semanais com apenas um dia de descanso. Da mesma forma, países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) têm, em média, jornadas mais curtas e maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

O que muda na prática

Se aprovada, a proposta pode impactar diretamente empresas que dependem da escala 6×1, especialmente no varejo e em serviços essenciais. Por conseguinte, empregadores teriam que reorganizar turnos, possivelmente contratando mais funcionários para cobrir os dias de folga adicionais — o que pode elevar custos operacionais. No entanto, para os trabalhadores, significa mais tempo livre, menos desgaste físico e mental, e maior convívio familiar. Por exemplo, imagine que, em vez de ter apenas quatro ou cinco domingos livres por mês, o trabalhador teria oito ou mais dias de descanso distribuídos ao longo do mês.

📊 Número do Dia

71% — dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, segundo pesquisa Datafolha de março de 2026

Por que isso importa

A mudança na escala de trabalho pode afetar milhões de brasileiros diretamente. Dessa forma, para o trabalhador, significa mais descanso e qualidade de vida. Em contrapartida, para as empresas, especialmente pequenos e médios negócios no comércio e serviços, pode representar aumento de custos com contratações e reorganização de turnos. Contudo, o debate no Congresso reflete uma pressão popular crescente por condições de trabalho mais humanas, alinhadas a padrões internacionais. Finalmente, a aprovação ou rejeição da proposta definirá se o Brasil caminha para jornadas mais equilibradas ou mantém um modelo considerado ultrapassado por muitos especialistas.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/03/datafolha-apoio-ao-fim-da-escala-6×1-cresce-e-chega-a-71-dos-brasileiros.shtml

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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