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Fundos de pensão brasileiros miram investimentos sustentáveis

Parceria entre Ministério da Previdência e BNDES capacitará gestores para avaliar critérios ESG em R$ 1 trilhão
Gestores de fundos de pensão analisando critérios ESG para investimentos sustentáveis de R$ 1 trilhão
O Ministério da Previdência Social e o BNDES firmaram nesta quinta-feira (12) uma parceria para capacitar gestores de fundos de pensão em investimentos sustentáveis. A iniciativa busca incorporar critérios ambientais, sociais e de governança (conhecidos pela sigla ESG) às decisões sobre R$ 1 trilhão em ativos administrados por essas entidades.

Os fundos de pensão brasileiros — instituições que administram a aposentadoria complementar de milhões de trabalhadores — começam a incorporar critérios de sustentabilidade em suas decisões de investimento. Dessa forma, a parceria anunciada entre o Ministério da Previdência Social e o BNDES prevê a capacitação de gestores e analistas das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs) para avaliar riscos ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) ao escolher onde aplicar os recursos.

A iniciativa não é obrigatória — funciona como um programa de treinamento voluntário. O objetivo é que os gestores aprendam a identificar, por exemplo, se uma empresa polui rios, desrespeita direitos trabalhistas ou possui práticas contábeis duvidosas, fatores que podem comprometer a rentabilidade no longo prazo. De acordo com o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, conforme reportado pela Agência Brasil, “é indispensável acrescentar essa análise diante de um cenário de impactos climáticos e energia renovável”.

O montante em jogo é expressivo: além disso, os fundos de pensão brasileiros administram mais de R$ 1 trilhão em ativos, segundo dados divulgados pela Agência Brasil. Para contextualizar, esse valor equivale a cerca de 12% do PIB brasileiro (a soma de tudo que o país produz em um ano). Por conseguinte, a aproximação desses recursos com projetos de transição ecológica — como energia solar, eólica e recuperação de florestas — pode ampliar significativamente o financiamento de longo prazo da economia verde no Brasil.

Comparação internacional

A título de comparação, fundos de pensão em países desenvolvidos já incorporam critérios ESG há mais tempo. Na Noruega, por exemplo, o fundo soberano de pensões — o maior do mundo, com cerca de US$ 1,6 trilhão — exclui empresas ligadas a desmatamento e violações de direitos humanos desde 2004. No Brasil, contudo, a Resolução CMN nº 5.202/2025 orienta a inclusão desses fatores, mas a adesão ainda depende da capacitação técnica dos gestores, lacuna que a parceria pretende preencher.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o banco é considerado o maior financiador de energia renovável do mundo e de ônibus elétricos na América Latina, conforme informado pela Agência Brasil. Desde 2023, assim, a instituição mobilizou R$ 7 bilhões para projetos de conservação e recuperação de florestas, equivalentes ao plantio de cerca de 280 milhões de árvores. Portanto, essa expertise será compartilhada com os gestores previdenciários.

📊 Número do Dia

R$ 1 trilhão — Volume de ativos administrados pelos fundos de pensão brasileiros, equivalente a 12% do PIB nacional

Por que isso importa

Para o trabalhador que contribui para um fundo de pensão, a mudança pode significar aposentadorias mais seguras no longo prazo, já que investimentos sustentáveis tendem a enfrentar menos riscos regulatórios e climáticos. Para empresas, no entanto, a pressão por práticas ESG deve aumentar, pois fundos com R$ 1 trilhão passarão a privilegiar negócios alinhados à transição ecológica. Para o país, em contrapartida, a iniciativa pode direcionar bilhões para energia limpa e infraestrutura verde, acelerando a descarbonização da economia.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/previdencia-e-bndes-querem-incluir-esg-na-gestao-de-fundos-de-pensao

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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