A CSN enfrenta uma pressão financeira crescente: sua dívida líquida (o total que a empresa deve menos o dinheiro que tem em caixa) saltou 11% no último trimestre de 2024, chegando a R$ 41,2 bilhões. Para ter uma ideia do tamanho do problema, dessa forma, essa dívida equivale a 3,47 vezes o Ebitda da companhia — uma métrica que mede quanto a empresa gera de caixa antes de pagar juros e impostos. Ou seja, é como se você devesse no cartão de crédito mais de três vezes sua renda anual.
A venda do negócio de cimento faz parte de um plano maior. A CSN pretende levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões até o terceiro trimestre deste ano, vendendo também uma fatia relevante de sua divisão de infraestrutura e logística. Portanto, esse montante representaria quase metade da dívida atual. Além disso, o Morgan Stanley foi contratado para assessorar a operação, informou a própria empresa na quinta-feira.
Quem está na disputa
A Votorantim, gigante brasileira do setor de cimento, provavelmente precisaria formar um consórcio com outras empresas para conseguir aprovação do Cade (o órgão que fiscaliza a concorrência no Brasil). Isso porque a Votorantim já tem participação relevante no mercado brasileiro de cimento. Segundo fontes, ela ficaria com ativos em regiões onde tem menos presença, enquanto, por outro lado, parceiros assumiriam negócios onde ela já é forte.
Do outro lado está a Huaxin Cement, empresa chinesa que entrou no mercado brasileiro apenas no fim de 2024, comprando a Embu S.A. por US$ 186 milhões. A operação incluiu quatro pedreiras no estado de São Paulo voltadas à produção de agregados (pedras e areia usadas na construção civil). No entanto, a Huaxin provavelmente não faria parte do consórcio da Votorantim, segundo as fontes.
Comparação internacional
A estratégia de vender ativos para reduzir dívida não é exclusividade brasileira. A título de comparação, a siderúrgica europeia ArcelorMittal vendeu US$ 2 bilhões em ativos entre 2020 e 2022 para desalavancar após a pandemia. Da mesma forma, no setor de cimento especificamente, a francesa Lafarge e a suíça Holcim se fundiram em 2015 e, posteriormente, venderam operações em diversos países para cumprir exigências antitruste — movimento semelhante ao que a Votorantim teria de fazer no Brasil.
As conversas ainda estão em estágio inicial e podem terminar sem acordo, alertaram as fontes. Além disso, a CSN também planeja usar ações da unidade de cimento como garantia em um empréstimo de US$ 1,3 bilhão a US$ 1,5 bilhão, segundo o diretor financeiro Marco Rabello.
📊 Número do Dia
R$ 41,2 bilhões , Dívida líquida da CSN no quarto trimestre de 2024, alta de 11% em três meses
Por que isso importa
Para o investidor, assim, a operação sinaliza se a CSN conseguirá reduzir sua alavancagem e recuperar credibilidade no mercado — a ação da empresa acumula perdas nos últimos anos. Para o setor de construção civil, por sua vez, a entrada de um player chinês e eventual reorganização da Votorantim podem alterar preços e disponibilidade de cimento, insumo que representa até 5% do custo de uma obra. Para o cidadão, finalmente, a disputa antitruste no Cade será crucial: visto que menos concorrência pode significar cimento mais caro na ponta, encarecendo reformas e imóveis novos.












