O fundo imobiliário TRXF11 está em ritmo acelerado de compras, mesmo com a taxa Selic (o juro básico da economia, que torna o crédito mais caro) em patamares elevados. A gestora TRX anunciou nesta quinta-feira (7) a aquisição de fatias de cinco shoppings da Iguatemi por R$ 876,1 milhões, segundo informações do blog Capital, do jornal O Globo. Os ativos incluem 35,55% do Shopping Praia de Belas (Porto Alegre), 36% do Iguatemi Alphaville (Barueri-SP), 10% do Iguatemi Ribeirão Preto e do Iguatemi São José do Rio Preto, além de 36% do I Fashion Outlet Novo Hamburgo (RS).
O pagamento será feito de forma criativa: R$ 569,5 milhões no fechamento, sendo até R$ 350,5 milhões pagos não em dinheiro, mas com cotas do próprio fundo. É como se, em vez de pagar em reais, o comprador oferecesse ações da própria empresa — uma estratégia comum no mercado imobiliário para preservar caixa. Os R$ 306,7 milhões restantes serão quitados em duas parcelas futuras. A Iguatemi continuará responsável pela gestão e administração dos shoppings.
Esta é apenas a mais recente de uma série de aquisições bilionárias. Nos últimos dias, o TRXF11 fechou acordos que somam R$ 4,7 bilhões em novos ativos. Há dois dias, comprou R$ 2,14 bilhões em imóveis da Cyrela, incluindo lajes comerciais no Edifício Cyrela Oscar Freire Corporate, em São Paulo. No fim de julho, pagou R$ 260 milhões pelo prédio do hotel Emiliano Rio, cinco estrelas em Copacabana, e R$ 1,4 bilhão por galpões construídos sob medida para o Mercado Livre em Guarulhos (SP).
Comparação internacional
A estratégia da TRX contrasta com o movimento de fundos imobiliários em mercados desenvolvidos, onde juros altos costumam frear aquisições. Nos Estados Unidos, por exemplo, fundos imobiliários (REITs) reduziram o ritmo de compras em 2023 e 2024, quando o Federal Reserve (o banco central americano) elevou juros para combater a inflação. A título de comparação, enquanto REITs americanos focaram em consolidar portfólios existentes, o TRXF11 expande agressivamente, apostando que os ativos de qualidade no Brasil estão subavaliados.
Com as novas aquisições, o fundo da TRX alcança R$ 12,3 bilhões investidos em 123 imóveis. O veículo se prepara agora para a maior captação da história dos fundos imobiliários brasileiros: até R$ 10 bilhões. Esse valor representa mais de três vezes a captação recorde anterior no setor, segundo dados públicos da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
📊 Número do Dia
R$ 4,7 bilhões , Valor total das aquisições do TRXF11 anunciadas nos últimos dias, incluindo shoppings, lajes corporativas, hotel e galpões logísticos
Por que isso importa
Para investidores de fundos imobiliários, a expansão agressiva da TRX sinaliza confiança no mercado de imóveis de alto padrão, mas também aumenta a necessidade de capital — daí a captação recorde planejada. Para empresas do setor, mostra que há liquidez e apetite por ativos de qualidade, mesmo com juros elevados. Para o cidadão, a movimentação reflete que grandes investidores apostam na retomada econômica de longo prazo, o que pode impulsionar empregos e serviços ligados aos imóveis adquiridos.


