O mercado brasileiro de entrega de comida por aplicativo virou palco de uma guerra comercial com dinheiro chinês. Segundo reportagem do Rio Times, o Cade reabriu um caso arquivado contra a 99Food, plataforma que pertence à chinesa DiDi. Ao mesmo tempo, o iFood — líder do setor no Brasil — pediu ao órgão que investigue tanto a 99Food quanto a Keeta (da também chinesa Meituan) por praticar preços abaixo do custo real de operação.
A estratégia é conhecida no mundo dos negócios: uma empresa aceita prejuízos temporários para conquistar clientes rapidamente e forçar os concorrentes a desistir. O iFood citou que a DiDi, dona da 99Food, registrou perdas próximas a US$ 470 milhões em um único trimestre — valor equivalente a cerca de R$ 2,3 bilhões, mais do que o orçamento anual de muitas cidades brasileiras. A pergunta é: até quando essas empresas aguentam operar no vermelho?
Comparação Internacional
Esse tipo de disputa não é exclusividade brasileira. Na China, a própria Meituan travou batalhas semelhantes contra rivais locais, queimando bilhões de dólares em subsídios antes de consolidar sua posição. Nos Estados Unidos, plataformas como Uber Eats e DoorDash também operaram anos no prejuízo até alcançar escala suficiente. A diferença é que, no Brasil, o dinheiro chinês está bancando a expansão agressiva de novos entrantes contra um líder já estabelecido.
O Que Muda Para o Consumidor
No curto prazo, a guerra de preços beneficia quem pede comida: promoções agressivas, cupons de desconto e taxas de entrega mais baixas. Mas, se uma empresa dominar o mercado após expulsar as rivais, nada garante que os preços permanecerão baixos. É o risco clássico da concorrência predatória — o consumidor ganha hoje, mas pode pagar a conta amanhã, quando restar apenas um ou dois players com poder de ditar as regras.
📊 Número do Dia
US$ 470 milhões , Prejuízo trimestral da DiDi, controladora da 99Food, citado pelo iFood como evidência de preços insustentáveis
Por que isso importa
A decisão do Cade pode definir as regras do jogo para o setor de delivery no Brasil. Se o órgão considerar que há prática predatória, pode impor multas, limitar promoções ou até barrar a expansão das plataformas chinesas. Para o consumidor, o desfecho determinará se a concorrência continuará intensa — com preços baixos — ou se o mercado caminhará para um modelo concentrado, com menos opções e tarifas mais altas.
Fonte original: https://www.riotimesonline.com/brazil-delivery-war-cade-99food-ifood-keeta-china-antitrust-2026/


