As cooperativas de crédito quase dobraram sua participação no financiamento do agronegócio brasileiro na última década, passando de 13% para 25% do total de operações, segundo reportagem da CNN Brasil publicada nesta segunda-feira (30). O movimento ocorre em um momento em que o governo federal enfrenta crescente dificuldade para ampliar os recursos destinados ao crédito rural subsidiado — aquele em que parte dos juros é paga pelo Tesouro Nacional para baratear o empréstimo ao produtor.
O avanço das cooperativas reflete uma mudança estrutural no modelo de financiamento do campo brasileiro. Tradicionalmente, o crédito rural dependia fortemente de recursos públicos, com taxas de juros abaixo das praticadas no mercado. Mas com o aperto fiscal (quando o governo precisa cortar gastos para equilibrar as contas), essas instituições passaram a ocupar o espaço deixado pelos bancos tradicionais, oferecendo condições mais competitivas e atendimento personalizado aos produtores rurais.
As cooperativas funcionam como bancos dos próprios agricultores: os associados são donos da instituição e dividem os resultados. Isso permite que ofereçam taxas menores e processos mais ágeis, especialmente para pequenos e médios produtores, que muitas vezes enfrentam dificuldades para acessar crédito nos grandes bancos. O modelo tem ganhado força em regiões como o Sul e o Centro-Oeste, onde a agricultura familiar e a produção de grãos são mais intensas.
A título de comparação, nos Estados Unidos as cooperativas de crédito agrícola também desempenham papel relevante, mas o sistema é dominado por grandes bancos privados e pelo Farm Credit System, uma rede de instituições financeiras criada pelo governo federal há mais de um século. No Brasil, o crescimento das cooperativas é mais recente e acelerado, refletindo tanto a capilaridade dessas instituições no interior quanto a necessidade de alternativas ao crédito público.
O movimento também sinaliza uma tendência de mercado: o financiamento do agro brasileiro está se tornando menos dependente do Tesouro e mais apoiado em recursos privados. Isso pode ser positivo para as contas públicas, mas exige que os produtores se adaptem a condições de crédito mais próximas das praticadas no mercado, com juros potencialmente mais altos em alguns casos.
📊 Número do Dia
25% , Participação das cooperativas no crédito rural brasileiro, ante 13% há dez anos
Por que isso importa
Para o produtor rural, especialmente o pequeno e médio, o avanço das cooperativas amplia as opções de financiamento e pode facilitar o acesso ao crédito. Para o governo, representa um alívio fiscal, mas também um desafio: garantir que o crédito chegue a quem mais precisa, mesmo com menos recursos públicos. Para o investidor, o movimento sinaliza oportunidades no setor de cooperativismo financeiro, que cresce em relevância no agronegócio brasileiro.
Fonte original: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/cooperativas-avancam-e-redesenham-o-financiamento-do-agro-brasileiro/


