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quarta-feira, 26 de agosto de 2026 Brasil

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Governo amplia Luz para Todos com R$ 6 bilhões

O governo federal publicou nesta segunda-feira (11) decreto que amplia o programa Luz para Todos, destinando R$ 6 bilhões em 2026 para levar energia elétrica a áreas rurais e regiões remotas da Amazônia Legal. A meta é atender até 122 mil novas famílias até 2028.

Família rural celebra instalação de lâmpada elétrica em casa simples, programa Luz para Todos eletrificação rural
Programa Luz para Todos beneficia famílias rurais com acesso à energia elétrica em todo o país.

O programa Luz para Todos, criado em 2003 para universalizar o acesso à energia elétrica no Brasil, acaba de ganhar novo fôlego. Segundo decreto publicado no Diário Oficial da União, o governo federal destinará R$ 6 bilhões em 2026 para expandir a eletrificação rural, com foco especial na Amazônia Legal — região que concentra os maiores desafios de infraestrutura do país. O prazo de execução foi estendido até dezembro de 2028, com encerramento financeiro previsto para 2029.

Para entender a dimensão do desafio: ainda existem cerca de 238 mil famílias brasileiras sem acesso à energia elétrica, segundo levantamento do Ministério de Minas e Energia. Isso representa aproximadamente 1 milhão de pessoas vivendo sem luz em pleno século XXI — um número equivalente à população de cidades como São Bernardo do Campo (SP). A maior parte dessas famílias está concentrada em áreas rurais e regiões remotas da Amazônia, onde a geografia dificulta e encarece a instalação de redes elétricas convencionais.

Desde sua criação, o Luz para Todos já beneficiou 3,8 milhões de famílias, alcançando cerca de 17,9 milhões de pessoas em todo o país. O novo decreto estabelece prioridades claras: famílias chefiadas por mulheres inscritas no Cadastro Único, domicílios com pessoas com deficiência ou idosos dependentes, e comunidades tradicionais como quilombolas, indígenas e ribeirinhos. Além de residências, o programa atenderá infraestruturas públicas como postos de saúde, escolas e sistemas de abastecimento de água — é como se o governo estivesse levando não apenas luz, mas as condições básicas para desenvolvimento econômico local.

A título de comparação, países como Índia e Bangladesh enfrentaram desafios semelhantes nas últimas décadas. A Índia, por exemplo, declarou eletrificação universal em 2018 após conectar mais de 600 milhões de pessoas em áreas rurais, combinando redes convencionais com sistemas solares descentralizados. O Brasil adota estratégia parecida: o decreto prevê soluções energéticas adequadas às especificidades territoriais, priorizando sustentabilidade, eficiência energética e descarbonização — essencial para preservar o bioma amazônico.

Do orçamento total de R$ 6 bilhões em 2026, R$ 2,57 bilhões são recursos novos destinados especificamente ao atendimento de até 122 mil famílias. O restante complementa investimentos já programados, sinalizando que o governo pretende acelerar o ritmo de conexões após anos de execução mais lenta. Para efeito de comparação, o valor equivale a cerca de 0,05% do PIB brasileiro — investimento modesto em termos macroeconômicos, mas com potencial de impacto social significativo nas regiões mais isoladas.

O que muda na prática

Para as famílias beneficiadas, o acesso à energia elétrica representa muito mais do que acender uma lâmpada. Significa poder refrigerar alimentos (reduzindo desperdício e melhorando segurança alimentar), acessar internet e educação à distância, e viabilizar pequenos negócios locais — como beneficiamento de produtos agrícolas ou artesanato. O decreto menciona explicitamente o objetivo de fortalecer o desenvolvimento socioeconômico local e a geração de trabalho e renda, reconhecendo que energia é infraestrutura básica para qualquer atividade produtiva.

Para empresas do setor elétrico, o programa representa oportunidades de contratos públicos, especialmente para aquelas especializadas em soluções descentralizadas como sistemas solares fotovoltaicos — tecnologia cada vez mais competitiva em regiões remotas onde estender redes convencionais é economicamente inviável. O decreto também prevê qualificação de mão de obra local, o que pode criar empregos nas próprias comunidades atendidas.

📊 Número do Dia

238 mil — Famílias brasileiras ainda vivem sem acesso à energia elétrica, concentradas principalmente em áreas rurais e na Amazônia Legal

Por que isso importa

Energia elétrica é pré-requisito para desenvolvimento econômico e social. Sem ela, famílias rurais ficam isoladas da economia digital, crianças estudam com dificuldade, alimentos se perdem por falta de refrigeração e pequenos negócios não conseguem operar. Para o Brasil, universalizar o acesso à energia significa reduzir desigualdades regionais históricas e integrar populações que ainda vivem à margem da economia moderna. Com R$ 6 bilhões investidos e foco na Amazônia, o programa pode finalmente fechar o gap de eletrificação que persiste há décadas — mas o prazo até 2028 será teste importante para a capacidade de execução do governo em regiões logisticamente desafiadoras.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/governo-amplia-luz-para-todos-na-amazonia-legal