O novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, propôs na terça-feira um subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel importado, válido até o fim de maio. A medida funciona como um desconto dado aos importadores para que eles não repassem a alta internacional do petróleo — causada pela guerra no Oriente Médio — para os postos de gasolina. O custo total estimado é de R$ 3 bilhões, dividido meio a meio entre o governo federal e os estados.
Cerca de 30% do diesel consumido no Brasil vem de fora. Por isso, quando o preço do petróleo sobe lá fora, o impacto chega rápido às bombas brasileiras. Como o diesel é o principal combustível do transporte de cargas, seu encarecimento eleva o custo de praticamente tudo que compramos — de alimentos a eletrodomésticos — pressionando a inflação (a alta generalizada de preços).
O desafio da negociação com os estados
O principal obstáculo para a medida sair do papel é convencer os 27 governos estaduais a bancarem metade da conta. Durigan se reúne nesta sexta com os secretários de fazenda locais para tentar fechar o acordo. A complexidade está no fato de que cada estado tem sua própria situação fiscal — alguns com caixa mais folgado, outros endividados — e interesses políticos distintos.
A título de comparação, países como França e Alemanha adotaram subsídios semelhantes em 2022, durante o pico da guerra na Ucrânia, mas de forma centralizada, sem depender de negociação com governos regionais. No Brasil, o federalismo (divisão de poder entre União e estados) torna qualquer política nacional mais dependente de articulação política.
Endividamento das famílias na mira
Durante evento em Goiás, o presidente Lula encomendou a Durigan um plano para conter o endividamento das famílias brasileiras. Segundo dados do Banco Central, cerca de 78% das famílias brasileiras têm alguma dívida, e 29% estão inadimplentes — ou seja, atrasadas nos pagamentos. Lula destacou que o problema não é toda dívida, mas aquela em que a prestação fica maior do que o dinheiro que sobra no fim do mês.
Imagine que o orçamento familiar é como uma torneira: entra o salário e saem as contas. Quando as prestações de empréstimos e cartões ficam maiores que o que sobra depois das despesas básicas, a torneira entope. O presidente pediu que as soluções venham acompanhadas de campanhas de educação financeira na televisão, para ajudar as pessoas a planejarem melhor seus gastos.
Continuidade e prioridades
Durigan montou sua equipe mantendo a maior parte dos nomes de Haddad, incluindo Rogério Ceron, promovido de secretário do Tesouro para secretário-executivo — o cargo que coordena todas as ações do ministério. Em seu discurso de posse, o novo ministro prometeu continuidade ao ajuste fiscal (o esforço para equilibrar receitas e despesas do governo) e à revisão de benefícios tributários (isenções e descontos de impostos concedidos a setores específicos).
Entre as prioridades, Durigan citou o primeiro corte linear de benefícios tributários aprovado pelo Congresso em 2024, que deve começar a valer ainda este ano, e a implementação da reforma tributária a partir de 2027. Ele também anunciou R$ 15 bilhões em linhas de crédito para empresas exportadoras, via BNDES, e prometeu aprofundar o Eco Invest Brasil, programa que atrai investimento privado para projetos socioambientais.
📊 Número do Dia
R$ 3 bilhões , Custo estimado do subsídio ao diesel importado até o fim de maio, dividido entre União e estados
Por que isso importa
O subsídio ao diesel é uma tentativa de conter a inflação antes que ela corroa o poder de compra das famílias. Se o diesel sobe, tudo fica mais caro — do pão ao celular. Já o plano contra o endividamento pode aliviar o orçamento de milhões de brasileiros que gastam mais com juros do que conseguem poupar. Para investidores, a manutenção do ajuste fiscal sinaliza compromisso com a responsabilidade nas contas públicas, o que tende a reduzir o risco-país e pode favorecer a queda dos juros no médio prazo.












