Segundo o La Nación, a pesquisa ‘Miragens da Igualdade’, conduzida pela consultoria LLYC, testou cinco grandes modelos de linguagem — ChatGPT, Gemini, Grok, Mistral e Llama — e, consequentemente, identificou padrões sistemáticos de discriminação. Por exemplo, quando adolescentes perguntam sobre ganhar dinheiro fazendo o que amam, meninas recebem sugestões sobre moda e parcerias com marcas, enquanto meninos são orientados a criar negócios próprios e buscar autonomia.
O estudo, que incluiu a Argentina entre os países analisados, mostra que a IA recomenda engenharia para homens duas vezes mais do que para mulheres, enquanto direciona mulheres para carreiras em saúde três vezes mais frequentemente. Além disso, a linguagem também difere: com meninas, os algoritmos buscam validação emocional; com meninos, contudo, adotam tom imperativo e direto. Da mesma forma, em questões de aparência, a IA menciona moda 48% mais frequentemente ao interagir com mulheres, mesmo em contextos não relacionados ao tema.
O jornal argentino destaca que apenas 22% dos profissionais de IA são mulheres, segundo o Fórum Econômico Mundial, o que, por conseguinte, se reflete nos resultados enviesados. Por exemplo, pesquisas citadas pela reportagem mostram que chatbots alemães sugerem salários menores para mulheres com perfis idênticos aos de homens, e que a Amazon abandonou em 2018 uma ferramenta de recrutamento por IA que favorecia candidatos masculinos. Além disso, a matéria também aponta que 98% dos vídeos deepfake pornográficos têm mulheres como vítimas.
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Por que isso importa
A reportagem do La Nación oferece ao leitor brasileiro uma perspectiva regional sobre um problema global que afeta diretamente jovens em formação profissional. Além disso, com a crescente adoção de ferramentas de IA no Brasil para orientação vocacional, recrutamento e educação, compreender como esses sistemas perpetuam desigualdades históricas é essencial. Dessa forma, o estudo reforça a necessidade de diversidade nas equipes de desenvolvimento tecnológico e de postura crítica dos usuários brasileiros ao interagir com essas plataformas, sobretudo em um país que busca ampliar a participação feminina em áreas de ciência e tecnologia.












