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Bancos antecipam R$ 32,5 bilhões ao FGC após crise do Master

Medida emergencial visa acelerar pagamento de indenizações a 675 mil credores após maior fraude da história do sistema financeiro
Sede do FGC - Fundo Garantidor de Créditos que receberá R$ 32,5 bilhões dos bancos brasileiros em março 2024
O Conselho de Administração do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) determinou nesta quinta-feira (5) que os bancos brasileiros façam um aporte extra de R$ 32,5 bilhões até o dia 25 de março. O reforço equivale a 60 meses de contribuições ordinárias e visa assegurar a capacidade do fundo de honrar compromissos após desembolsar R$ 38,4 bilhões para cobrir o colapso do Banco Master.

A decisão representa uma resposta emergencial ao maior sinistro da história do sistema de garantia de depósitos brasileiro. Segundo o FGC, até esta quinta-feira já foram pagos 94% do total previsto de indenizações relacionadas ao Banco Master, beneficiando assim cerca de 675 mil credores — ou seja, 87% do total estimado de 1,6 milhão de pessoas e empresas afetadas.

O rombo do Banco Master, estimado em R$ 17 bilhões e causado por fraudes que incluíam carteiras de crédito fictícias, forçou o FGC a desembolsar aproximadamente R$ 40,6 bilhões em garantias. Para viabilizar os pagamentos sem comprometer a solidez do fundo, foi aprovado portanto em fevereiro um plano emergencial que prevê a antecipação de até sete anos de contribuições dos bancos associados, distribuídas entre 2026 e 2028.

A título de comparação, o Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) dos Estados Unidos, equivalente ao FGC, desembolsou cerca de US$ 20 bilhões durante a crise bancária de 2023 que derrubou o Silicon Valley Bank e outros bancos regionais. Dessa forma, o caso Master, proporcionalmente ao tamanho da economia brasileira, representa um impacto significativamente maior ao sistema de garantias.

Para amenizar o impacto sobre a liquidez bancária, o Banco Central autorizou na terça-feira (3) que as instituições descontem os valores antecipados do recolhimento compulsório — ou seja, a parcela de depósitos que os bancos são obrigados a manter parada na autoridade monetária. Assim, a medida pode liberar cerca de R$ 30 bilhões ao longo de 2026, embora o BC afirme que não haverá impacto líquido na economia, visto que os recursos compensam as contribuições antecipadas.

📊 Número do Dia

R$ 38,4 bilhões — Total desembolsado pelo FGC até agora para cobrir o colapso do Banco Master, representando 94% das indenizações previstas

Por que isso importa

Para o cidadão, a operação demonstra de fato que o sistema de garantia de depósitos funciona mesmo diante de fraudes bilionárias, protegendo assim aplicações de até R$ 250 mil por CPF e instituição. Para os bancos, no entanto, a antecipação de contribuições pressiona temporariamente o caixa, embora o desconto no compulsório mitigue o impacto. Para o investidor, por outro lado, o episódio reforça a importância de diversificar aplicações entre instituições e verificar a solidez dos bancos, sobretudo aqueles que oferecem rendimentos muito acima da média do mercado — o Master atraiu clientes justamente com taxas agressivas que mascaravam sua fragilidade.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/bancos-farao-aporte-extra-de-r-325-bilhoes-no-fgc-ate-dia-25

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