Na Leograf, em Osasco, na Grande São Paulo, o empresário Fabio Gabriel dos Santos manteve a operação em três turnos durante o período eleitoral. Uma única encomenda, de um partido cujo nome ele não revelou, somou 100 milhões de folhetos de quatro páginas. Santos também relatou aumento dos pedidos de santinhos, panfletos e encartes de outras siglas.
À Folha de S.Paulo, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), Julião Flaves Gaúna, estimou crescimento de 25% na receita do setor em relação ao ano passado. A avaliação apresentada é que as encomendas deram fôlego de caixa para os primeiros meses de 2027. Trata-se de uma estimativa da entidade, não de um resultado apurado independentemente pelo Correio Capital.
O prazo de entrega seleciona os fornecedores
Segundo relatos recolhidos pela reportagem, os partidos gastaram mais com gráficas de maior porte, capazes de receber encomendas volumosas e entregá-las rapidamente. Santos descreveu pedidos feitos às 19h para retirada às 8h do dia seguinte.
Nesse mercado, capacidade disponível e velocidade de entrega tornam-se vantagens competitivas. Se o prazo é curto demais para ampliar a produção, a campanha tende a procurar quem já consegue atendê-la. O aumento da demanda, portanto, pode elevar a receita do setor sem beneficiar cada empresa na mesma proporção. O porte, aqui, importa pela capacidade de cumprir a encomenda, não apenas pelo tamanho da gráfica.
Alívio no caixa não encerra a retração
O impulso eleitoral contrasta com a estimativa de queda de 4,3% na produção física da indústria gráfica no primeiro semestre de 2025. Naquele período, as atividades de impressão, que incluem revistas, livros e impressos profissionais, recuaram 7,1%, em um segmento exposto à substituição do papel por meios eletrônicos.
Receita e produção física medem coisas diferentes: a primeira registra dinheiro obtido com vendas; a segunda, o volume produzido. Por isso, a alta estimada de faturamento não demonstra, por si só, recuperação daquele volume.
As encomendas eleitorais podem sustentar despesas e dar às empresas tempo para buscar outros mercados, como embalagens, rótulos e etiquetas, caminhos citados na reportagem. Mas transformar esse alívio em recuperação duradoura depende de manter pedidos fora das campanhas. Para quem opera com estrutura preparada para grandes tiragens, o ganho será mais consistente se essa capacidade continuar ocupada depois da urgência eleitoral.
📊 Número do Dia
25% : Crescimento da receita da indústria gráfica estimado pelo presidente da Abigraf no contexto das eleições de 2026, em comparação com a receita do ano anterior.
Por que isso importa
Pedidos eleitorais podem aliviar o caixa das gráficas, mas a exigência de grandes volumes em prazos curtos favorece empresas com capacidade instalada. A continuidade desse ganho depende de demanda fora das campanhas.
