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domingo, 25 de outubro de 2026 Brasil

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Renda fixa superou Ibovespa, mas milhão exige contexto

Em coluna publicada na Folha de S.Paulo em 24 de outubro de 2026, Michael Viriato apresentou uma comparação em que títulos públicos brasileiros indexados à inflação superaram o Ibovespa ao longo de 20 anos. O resultado mostra a força dos rendimentos acumulados, mas não equivale ao ganho líquido de uma aplicação individual.

Títulos públicos superaram o Ibovespa em comparação de 20 anos. Veja como juros, inflação, impostos e riscos mudam a leitura do patrimônio acumulado.

Na comparação apresentada pelo colunista, o IMA-B 5+, índice que acompanha títulos públicos federais ligados à inflação com vencimentos superiores a cinco anos, multiplicou o capital inicial por 10,5 no período analisado. O Ibovespa, referência do mercado brasileiro de ações, multiplicou por 5,3. Uma quantia inicial de R$ 100 mil teria chegado, respectivamente, a aproximadamente R$ 1,05 milhão e R$ 530 mil.

São resultados históricos de índices, nominais e brutos: não descontam a perda de poder de compra, os impostos nem os custos. Portanto, cruzar a marca de R$ 1 milhão nessa comparação não significa ter obtido esse valor disponível para gastar, muito menos conservar o poder de compra de um milhão de reais do início do período.

O prazo multiplica os rendimentos

O mecanismo central é a acumulação de juros sobre juros. Quando os rendimentos permanecem investidos, passam também a gerar novos ganhos. Ao longo de duas décadas, diferenças nas taxas anuais podem produzir distâncias expressivas no patrimônio final, mesmo sem novos aportes.

Segundo Viriato, parte do desempenho da renda fixa brasileira se explica pelo histórico de juros reais elevados, isto é, remuneração acima da inflação. Para quem poupa, esse ganho representa a possibilidade de comprar mais bens e serviços no futuro. Mas o avanço efetivo depende do que sobra depois de tributos e despesas, não apenas da taxa anunciada.

Título público também oscila

Renda fixa não significa preço imóvel. Quando os juros de mercado sobem, títulos já emitidos podem perder valor, porque passam a competir com remunerações mais atraentes. O índice de papéis longos pode, assim, registrar perdas expressivas, risco destacado pelo próprio colunista.

Há ainda uma diferença entre acompanhar uma carteira e comprar um papel: o desempenho do índice depende de suas regras de composição. Manter um único título ligado à inflação até o vencimento não reproduz necessariamente aquele resultado.

A comparação documenta que assumir o risco das ações não assegurou superar esses títulos no recorte apresentado. Para o poupador, porém, a vantagem histórica só se transforma em aumento de riqueza se o retorno líquido preservar poder de compra. Repetir a multiplicação observada dependeria de condições futuras de juros e preços, não da simples escolha do rótulo “renda fixa”.

📊 Número do Dia

10,5 vezes : Multiplicação do capital inicial pelo IMA-B 5+ nos 20 anos analisados na coluna, em valores nominais e brutos, antes de impostos e custos.

Por que isso importa

O desempenho mostra como juros acumulados podem ampliar o patrimônio sem exposição a ações, mas a riqueza efetiva depende da inflação, dos custos, dos impostos e dos riscos dos títulos.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/de-grao-em-grao/2026/10/e-possivel-ficar-milionario-investindo-apenas-em-renda-fixa.shtml