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domingo, 25 de outubro de 2026 Brasil

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Petrobras: veto à privatização não define venda de ativos

A campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que não pretende privatizar a Petrobras em um eventual governo, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 24 de outubro de 2026. O jornal relata, porém, que o mercado espera a retomada da venda de ativos da estatal.

Campanha de Flávio Bolsonaro descarta privatizar a Petrobras, mas mercado espera venda de ativos. Entenda a diferença e os efeitos sobre a concorrência.

A negativa foi expressa por Adolfo Sachsida, um dos principais assessores econômicos do candidato, em vídeo sobre empresas estatais. Já Adriano Pires, coordenador da campanha para energia, havia admitido discutir uma capitalização da Petrobras: entrada de capital que, no modelo mencionado por ele, reduziria a participação estatal a uma posição minoritária, sem influência nas decisões. Pires ressalvou que isso não integra o plano de governo.

Controle e tamanho são decisões diferentes

Manter o controle estatal não significa preservar todos os negócios da Petrobras. Privatizar a companhia e vender parte de seus ativos são operações distintas. Na primeira, muda quem comanda a empresa. Na segunda, ela pode continuar sob controle público, mas deixar de operar determinados campos, instalações ou segmentos.

Essa diferença explica por que a declaração da campanha pode coexistir com a expectativa de desinvestimentos, nome dado à venda de negócios e participações. Segundo a Folha, durante o governo Jair Bolsonaro, a Petrobras vendeu campos produtores de menor porte e gasodutos, além de concluir sua saída da distribuição de combustíveis.

No refino, oito unidades foram colocadas à venda naquele governo, mas quatro foram vendidas. O dado mostra que anunciar um programa e concluir suas operações são etapas diferentes. Também oferece uma referência concreta para a expectativa de retomada mencionada pela reportagem, sem torná-la compromisso do candidato.

Vender ativos exige avaliar o uso do dinheiro

Uma venda pode liberar recursos para outros investimentos e reduzir a dispersão de esforços entre atividades. O benefício, porém, depende do preço recebido, da renda futura que a empresa deixa de obter e do destino dado ao dinheiro. Receber pela venda não equivale, por si só, a aumentar a eficiência.

Para consumidores e empresas que compram combustíveis, outra condição importa: a concorrência. Se a transferência de uma refinaria ampliar a disputa entre fornecedores, pode estimular eficiência e melhores condições comerciais. A simples troca de proprietário não garante esse resultado.

O plano de Flávio promete estimular a modernização do refino, mas, conforme a Folha, não define se a tarefa caberia à Petrobras ou ao setor privado. A consequência econômica depende dessa escolha: preservar o controle público ainda permite mudar profundamente onde a estatal investe e quais mercados decide atender.

📊 Número do Dia

4 de 8 refinarias : Das oito refinarias da Petrobras colocadas à venda no governo Jair Bolsonaro, quatro foram vendidas, segundo a Folha de S.Paulo.

Por que isso importa

A Petrobras pode continuar sob controle estatal e, ainda assim, reduzir sua atuação. Os efeitos sobre investimentos e consumidores dependem dos negócios vendidos, do uso dos recursos e da concorrência nos mercados envolvidos.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/flavio-descarta-privatizar-petrobras-mas-mercado-espera-venda-de-ativos.shtml