O conjunto de aquisições reúne patrimônio imobiliário e operações financeiras de naturezas distintas. A Folha de S.Paulo identificou compras em nome do advogado Willer Tomaz ou da WT Administração de Imóveis e Bens. Os R$ 62 milhões correspondem aos valores das transações levantadas em escrituras, não a uma avaliação atual de mercado nem ao dinheiro aplicado nas obras em andamento.
Compra, obra e financiamento são contas diferentes
No Lago Sul, em Brasília, a WT comprou uma propriedade por R$ 12,5 milhões em março de 2024. A casa existente foi demolida. No lugar, está em construção uma residência com subsolo, térreo, piso superior e heliponto, com o lago Paranoá ao fundo.
Um ano depois, Willer comprou uma casa ao lado por R$ 6,1 milhões. Segundo a escritura citada pela Folha, R$ 1,83 milhão foi pago em transferências bancárias e o restante por financiamento do Banco de Brasília (BRB).
Valor comprado não equivale a recursos próprios desembolsados. O financiamento permite adquirir o imóvel com dinheiro emprestado, em troca de uma obrigação futura de pagamento. Por isso, somar preços de aquisição ajuda a dimensionar as operações, mas não mede, sozinho, a riqueza líquida do comprador: seria necessário descontar suas dívidas.
O registro da propriedade não encerra a apuração
Segundo a reportagem, a Polícia Federal (PF) investiga Willer por suspeita de lavagem de dinheiro em duas frentes: uma sobre desvio de recursos de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e outra relacionada a casas de apostas. Procurada pela Folha, sua assessoria informou que ele não responderia aos questionamentos.
Lavagem de dinheiro é a tentativa de dar aparência legítima a recursos de origem ilícita. Uma compra imobiliária pode integrar esse mecanismo se for usada para ocultar a origem ou o verdadeiro dono do dinheiro. O volume das aquisições, por si só, não comprova esse crime.
A distinção importa porque imóveis representam patrimônio, mas sua compra também envolve pagamentos e, em alguns casos, crédito. A análise econômica das transações exige separar essas parcelas. No caso investigado, a conexão relevante é entre a origem dos recursos e os pagamentos: se houver vínculo com dinheiro ilícito, a aparência regular de uma escritura não elimina o problema; sem essa demonstração, o tamanho do patrimônio não substitui a prova.
📊 Número do Dia
R$ 62 milhões : Valor de pelo menos 15 imóveis comprados por Willer Tomaz ou pela WT entre 2021 e 2026, segundo levantamento de escrituras da Folha.
Por que isso importa
As compras dimensionam as operações imobiliárias, mas não equivalem à riqueza líquida do comprador. Separar financiamento, recursos próprios e origem do dinheiro é essencial para avaliar o patrimônio e as suspeitas investigadas.
