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quinta-feira, 22 de outubro de 2026 Brasil

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Escritórios de São Paulo sentem juros com atraso, aponta estudo

Um estudo da plataforma de dados imobiliários SiiLA aponta um intervalo de 15 meses entre decisões sobre a Selic, a taxa básica de juros, e a queda na ocupação de escritórios em São Paulo. O levantamento foi divulgado pela Folha de S.Paulo em reportagem publicada em 20 de outubro de 2026.

Estudo da SiiLA aponta intervalo de 15 meses entre juros e ocupação de escritórios em São Paulo. Oferta limitada pode pressionar os aluguéis na capital.

O levantamento analisou dados trimestrais de 2015 a 2026 sobre escritórios das categorias A+, A e B em 12 regiões corporativas paulistanas. A SiiLA cruzou indicadores próprios com séries do Banco Central, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Tesouro Nacional. A correlação identificada não comprova causalidade, ressalva importante para interpretar o intervalo estimado.

A relação ajuda a enquadrar uma aparente contradição: mesmo com juros elevados, a parcela de imóveis desocupados nas principais regiões corporativas da cidade está caindo, segundo a Folha. No terceiro trimestre de 2026, a absorção líquida de escritórios de alto padrão chegou a 118 mil metros quadrados. Esse indicador mede o saldo entre áreas ocupadas e devolvidas no período.

Por que a ocupação pode demorar a reagir

Juros mais altos encarecem o crédito e podem reduzir a disposição das empresas para investir e ampliar operações. Se esse freio alcançar a demanda por escritórios, seu efeito pode aparecer apenas quando as empresas executarem mudanças de espaço ou revisarem contratos. Essa é uma explicação econômica possível para a defasagem, não uma comprovação do caminho percorrido em cada locação.

Por isso, a ocupação observada hoje não precisa refletir integralmente as condições atuais de financiamento. Para proprietários e empresas que procuram espaço, a consequência é concreta: não basta olhar a Selic para antecipar disponibilidade de imóveis ou negociar aluguéis.

Oferta prevista fica abaixo da demanda passada

O modelo da SiiLA projeta crescimento da absorção bruta, que soma a área alugada ou ocupada sem descontar as devoluções. Esse indicador equivale a 9,4% do estoque no acumulado de 12 meses e, pela projeção, chegaria a cerca de 10,9% no quarto trimestre de 2027.

Do lado da oferta, estão previstos, em média, 117 mil metros quadrados de novos escritórios por ano em 2027 e 2028. É menos da metade da absorção líquida média anual de 268 mil metros quadrados registrada em 2024 e 2025. A comparação contrapõe entregas futuras a demanda passada; não demonstra que o mesmo ritmo de ocupação continuará.

Se a procura permanecer forte e as entregas seguirem o volume previsto, a menor disponibilidade poderá pressionar aluguéis, mesmo com crédito caro. O atraso na reação aos juros e a oferta limitada podem coexistir: o primeiro adia o ajuste da demanda; a segunda restringe as alternativas das empresas que precisam de espaço.

📊 Número do Dia

15 meses : Intervalo apontado pelo estudo da SiiLA entre decisões sobre a Selic e queda na ocupação de escritórios em São Paulo, com dados de 2015 a 2026.

Por que isso importa

Juros elevados podem demorar a afetar a procura por escritórios. Se a demanda continuar forte diante das entregas previstas, empresas que buscam espaço poderão enfrentar pressão nos aluguéis.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2026/10/mercado-de-escritorios-demora-15-meses-para-sentir-efeito-de-juros-mostra-estudo.shtml