Desde o início de julho até 18 de outubro, a União Europeia importou 6,64 milhões de toneladas de milho. Desse total, 1,82 milhão veio do Brasil, ante 2,74 milhões no mesmo período do ano anterior. O país continuou como segundo maior fornecedor do bloco, embora tenha vendido menos a um mercado que ampliou suas compras.
Os Estados Unidos forneceram 2,9 milhões de toneladas, mais de três vezes as cerca de 900 mil toneladas registradas um ano antes. A Ucrânia também avançou: seus embarques passaram de 770 mil para 1,62 milhão de toneladas. Segundo a Folha de S.Paulo, em reportagem da Reuters, os dados foram divulgados pela Comissão Europeia.
A seca abre demanda, não garante vendas
Fabricantes de ração animal e produtores de amido estão buscando compensar perdas na colheita europeia provocadas pela seca. A produção do bloco deve ser a menor desde pelo menos 2000, uma previsão, não um resultado final. Analistas e grupos do setor já esperavam aumento das importações nesta safra.
O mecanismo é direto: quando a oferta local diminui, compradores podem recorrer ao exterior para manter o abastecimento de suas fábricas. Isso amplia o mercado disponível aos exportadores, mas não distribui os pedidos igualmente entre eles. O crescimento das compras europeias e a queda dos volumes brasileiros mostram essa diferença.
Oportunidade depende de competitividade
Mais demanda externa não significa mais vendas para o Brasil. Para conquistar pedidos, um fornecedor precisa apresentar condições competitivas de preço, frete e prazo de entrega. Esses fatores ajudam a explicar como a concorrência funciona, mas o material disponível não identifica qual deles determinou o recuo brasileiro.
Para os exportadores nacionais, o efeito documentado é a redução do volume destinado ao bloco. Isso não permite concluir que houve queda equivalente de receita, pois o valor recebido também depende dos preços, nem que as exportações totais brasileiras diminuíram.
A necessidade europeia de recompor o abastecimento abre uma oportunidade comercial. Transformá-la em vendas brasileiras, porém, depende de disputar os contratos com outros fornecedores. Neste recorte da safra, a expansão do mercado europeu beneficiou os embarques americanos e ucranianos, enquanto o Brasil perdeu espaço.
📊 Número do Dia
1,82 milhão de toneladas : Milho brasileiro importado pela União Europeia entre o início de julho e 18 de outubro da safra 2026/27, ante 2,74 milhões no mesmo período anterior.
Por que isso importa
A demanda europeia por milho aumentou, mas o Brasil vendeu menos ao bloco. O contraste mostra que a abertura de mercado só se transforma em exportações quando o fornecedor consegue disputar os pedidos.
