Pular para o conteúdo
sexta-feira, 23 de outubro de 2026 Brasil

Economia com profundidade. Decisões com confiança.

Mercados
Carregando cotações...
DÓLAR --
BRT 

Europa compra mais milho, mas Brasil perde espaço

As importações de milho da União Europeia cresceram 40% na safra 2026/27 até 18 de outubro, mas as compras do Brasil diminuíram. Os dados da Comissão Europeia, divulgados no dia 20 e reportados pela Folha de S.Paulo em texto da Reuters, mostram o avanço dos Estados Unidos nesse mercado.

Compras de milho da União Europeia crescem 40%, mas volume brasileiro recua. Entenda a disputa por esse mercado e o avanço dos Estados Unidos no bloco.

Desde o início de julho até 18 de outubro, a União Europeia importou 6,64 milhões de toneladas de milho. Desse total, 1,82 milhão veio do Brasil, ante 2,74 milhões no mesmo período do ano anterior. O país continuou como segundo maior fornecedor do bloco, embora tenha vendido menos a um mercado que ampliou suas compras.

Os Estados Unidos forneceram 2,9 milhões de toneladas, mais de três vezes as cerca de 900 mil toneladas registradas um ano antes. A Ucrânia também avançou: seus embarques passaram de 770 mil para 1,62 milhão de toneladas. Segundo a Folha de S.Paulo, em reportagem da Reuters, os dados foram divulgados pela Comissão Europeia.

A seca abre demanda, não garante vendas

Fabricantes de ração animal e produtores de amido estão buscando compensar perdas na colheita europeia provocadas pela seca. A produção do bloco deve ser a menor desde pelo menos 2000, uma previsão, não um resultado final. Analistas e grupos do setor já esperavam aumento das importações nesta safra.

O mecanismo é direto: quando a oferta local diminui, compradores podem recorrer ao exterior para manter o abastecimento de suas fábricas. Isso amplia o mercado disponível aos exportadores, mas não distribui os pedidos igualmente entre eles. O crescimento das compras europeias e a queda dos volumes brasileiros mostram essa diferença.

Oportunidade depende de competitividade

Mais demanda externa não significa mais vendas para o Brasil. Para conquistar pedidos, um fornecedor precisa apresentar condições competitivas de preço, frete e prazo de entrega. Esses fatores ajudam a explicar como a concorrência funciona, mas o material disponível não identifica qual deles determinou o recuo brasileiro.

Para os exportadores nacionais, o efeito documentado é a redução do volume destinado ao bloco. Isso não permite concluir que houve queda equivalente de receita, pois o valor recebido também depende dos preços, nem que as exportações totais brasileiras diminuíram.

A necessidade europeia de recompor o abastecimento abre uma oportunidade comercial. Transformá-la em vendas brasileiras, porém, depende de disputar os contratos com outros fornecedores. Neste recorte da safra, a expansão do mercado europeu beneficiou os embarques americanos e ucranianos, enquanto o Brasil perdeu espaço.

📊 Número do Dia

1,82 milhão de toneladas : Milho brasileiro importado pela União Europeia entre o início de julho e 18 de outubro da safra 2026/27, ante 2,74 milhões no mesmo período anterior.

Por que isso importa

A demanda europeia por milho aumentou, mas o Brasil vendeu menos ao bloco. O contraste mostra que a abertura de mercado só se transforma em exportações quando o fornecedor consegue disputar os pedidos.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/agro/2026/10/importacoes-de-milho-pela-ue-disparam-40-apos-seca-devastar-safras.shtml