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quinta-feira, 22 de outubro de 2026 Brasil

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Netflix lucra mais, mas desaceleração derruba ações

As ações da Netflix caíram 5% após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026. Segundo reportagem do Financial Times publicada pela Folha de S.Paulo, a empresa apresentou perspectivas de desaceleração para o restante do ano, apesar do avanço do lucro.

Netflix amplia lucro, mas ações caem após projeções fracas para 2026. Disputa por audiência e publicidade pesa nas perspectivas de crescimento da empresa.

A Netflix registrou receita de US$ 12,9 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 12% sobre o mesmo período do ano anterior. Foi o crescimento anual mais lento desde 2023, embora tenha ficado em linha com as projeções dos analistas. O lucro avançou 44%, para US$ 3,7 bilhões, superando as expectativas. A reação negativa das ações, portanto, não acompanhou o desempenho do lucro já obtido, mas ocorreu diante de perspectivas menos favoráveis.

O mercado olha para a próxima receita

Segundo o Financial Times, em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, a companhia informou que o crescimento da receita continuaria desacelerando no quarto trimestre. Também projetou lucro líquido quase US$ 300 milhões abaixo das expectativas dos analistas para os três últimos meses de 2026. Trata-se de uma previsão, não de um resultado já apurado.

Essa diferença ajuda a compreender a queda das ações. O preço de uma empresa reflete também o que os investidores esperam que ela consiga ganhar adiante. Um lucro trimestral maior pode coexistir com uma avaliação menor se as perspectivas de expansão se enfraquecerem. No caso da Netflix, as ações acumulavam perda superior a 40% nos 12 meses anteriores, segundo a reportagem.

Audiência precisa se transformar em receita

Na carta aos acionistas, os dirigentes Ted Sarandos e Greg Peters reconheceram preocupações com o crescimento das horas assistidas e citaram o acirramento da concorrência. A empresa enfrenta dificuldades para atrair novos assinantes e informou que a publicidade cresceu menos do que projetava. Se produções mais atraentes ampliarem a audiência, poderão favorecer a conquista de assinantes e aumentar as oportunidades de venda de anúncios. Esse resultado, porém, depende da resposta do público.

A tentativa de recuperar esse impulso inclui uma reestruturação. A Netflix cortou cerca de mil postos de trabalho na semana anterior à publicação da reportagem e contratou Peter Rice, ex-executivo da Disney e da Fox, para renovar sua liderança criativa. A companhia atribuiu a projeção de lucro abaixo do esperado no quarto trimestre aos custos de indenização das demissões.

Os cortes podem reduzir despesas futuras, mas não resolvem, por si, a dificuldade de conquistar audiência. A recuperação do crescimento dependerá de transformar a reorganização criativa em conteúdo que o público queira assistir e em receitas que justifiquem seu custo.

📊 Número do Dia

12% : Crescimento da receita da Netflix no terceiro trimestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025, o ritmo anual mais lento desde 2023.

Por que isso importa

O caso mostra por que lucro crescente não garante valorização das ações: a capacidade de conquistar audiência e gerar receitas futuras também pesa na avaliação dos investidores.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/10/netflix-apresenta-perspectivas-negativas-para-2026-em-meio-a-escassez-de-sucessos-no-streaming.shtml