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quinta-feira, 22 de outubro de 2026 Brasil

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Renda sobe no agronegócio, mas recua para autônomos

O rendimento médio mensal real no agronegócio chegou a R$ 2.972 no segundo trimestre de 2026, acima do mesmo período de 2025. Os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), publicados pela Folha de S.Paulo, mostram, porém, resultados desiguais entre as formas de trabalho.

Rendimento real médio do agronegócio sobe 3,7% no segundo trimestre de 2026, mas trabalhadores por conta própria registram queda de 3,1% nos rendimentos.

A massa salarial do agronegócio alcançou R$ 72 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 2,5% sobre igual período de 2025. Desse total, R$ 46 bilhões ficaram com empregados, avanço de 2,8%, e R$ 9 bilhões com empregadores, alta de 7,9%. Os trabalhadores por conta própria receberam o restante.

O levantamento abrange mais que as atividades dentro das fazendas. Cepea e CNA incluem insumos, produção agropecuária, processamento industrial e agrosserviços. A população ocupada nesse conjunto chegou ao recorde de 28,28 milhões de pessoas, segundo a Folha. É sobre esse universo amplo que os indicadores devem ser lidos.

A média melhora, mas não para todos

O aumento real de 3,7% no rendimento médio significa ganho acima da inflação, e não apenas mais reais no pagamento. Mas uma média setorial reúne situações diferentes: os dados apontam queda de 3,1% nos rendimentos dos trabalhadores por conta própria, a única categoria com perda.

Entre os empregados, também houve diferenças. Os da pecuária tiveram aumento real de 8%, embora continuassem ganhando menos que os da agricultura. Na lavoura, o rendimento mensal atingiu R$ 2.154, com avanço real de 4,4%. Portanto, maior velocidade de crescimento não significa necessariamente maior renda.

Essa distinção importa para avaliar o efeito econômico da melhora. Quem obtém ganho real pode ampliar o consumo sem reduzir outras despesas. Para quem perde rendimento, essa margem diminui. O avanço agregado, assim, não descreve sozinho a capacidade de compra de cada grupo ligado ao agronegócio.

Mais escolaridade não prova maior produtividade

O contingente com ensino superior completo ou incompleto chegou a 4,94 milhões, alta de 5,4%, e passou a representar 17% dos ocupados. Já o grupo sem instrução recuou 3,3%, para 1,44 milhão. O emprego com carteira cresceu 0,5%, enquanto o sem carteira caiu 1,7%, sempre na comparação com o segundo trimestre de 2025.

Maior escolaridade pode facilitar o uso de técnicas e equipamentos, elevando a produção por trabalhador, se houver aplicação dessas habilidades. O levantamento, porém, não estabelece que essa mudança explique o ganho de renda. Para que a melhora alcance também os autônomos, será necessário que seus próprios rendimentos avancem: mais emprego e qualificação no conjunto não garantem esse resultado.

📊 Número do Dia

R$ 2.972 por mês : Rendimento médio mensal real no agronegócio no segundo trimestre de 2026, com alta de 3,7% sobre o mesmo período de 2025.

Por que isso importa

O ganho médio acima da inflação indica melhora do poder de compra no agronegócio, mas a queda entre trabalhadores por conta própria mostra que esse avanço não alcançou todas as formas de trabalho.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vaivem/2026/10/nivel-de-escolaridade-e-renda-media-aumentam-no-agronegocio.shtml