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sexta-feira, 23 de outubro de 2026 Brasil

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Inflação maior e PIB menor estreitam espaço para juros

Os economistas elevaram a previsão de inflação para 2027 e reduziram as estimativas de crescimento da economia em 2026, 2027 e 2028. Segundo a Folha de S.Paulo, as revisões constam do boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (19).

Focus eleva inflação prevista para 2027 e reduz crescimento esperado em três anos. Veja como essa combinação pesa sobre o espaço para cortes de juros.

A combinação torna mais delicada a perspectiva para os juros: uma economia com crescimento esperado menor pode favorecer a redução da taxa, mas a inflação projetada mais alta pesa na direção contrária. Apesar das revisões, os analistas mantiveram a expectativa de dois cortes de 0,25 ponto percentual ainda em 2026.

O desencontro nas projeções para 2027

A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência da inflação, passou a 4,32% em 2027, alta de 0,02 ponto percentual sobre o levantamento anterior. No mesmo horizonte, a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), medida da produção de bens e serviços, caiu de 1,4% para 1,32%.

Para 2026, a inflação esperada permaneceu em 5,22%, acima do limite superior de 4,5% correspondente à meta de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual. A projeção de crescimento recuou de 1,85% para 1,83%. Em 2028, houve redução nas duas estimativas: a inflação passou de 3,79% para 3,75%, e a expansão do PIB, de 1,83% para 1,81%.

São revisões de expectativas, não resultados observados. Elas descrevem como os analistas consultados passaram a enxergar a economia. Não demonstram, por si, que os preços já aceleraram ou que a produção já perdeu ritmo.

Por que o corte de juros fica mais delicado

A Selic, taxa básica de juros, influencia o custo do crédito. Sua redução pode facilitar compras financiadas e investimentos empresariais, sustentando a atividade. Se esse estímulo elevar a procura além da capacidade de oferta, porém, pode também pressionar os preços.

É nessa tensão que se encaixa a previsão mantida para os juros. Conforme a Folha, a Selic está em 13,75%, e os analistas esperam que termine 2026 em 13,25%, após cortes nas reuniões de novembro e dezembro do Comitê de Política Monetária (Copom). Essa é uma expectativa do mercado, não uma decisão anunciada pelo comitê.

Para famílias e empresas, o alívio previsto no financiamento continua condicionado ao controle dos preços. Se a perspectiva de inflação piorar de forma persistente, o espaço para estimular a atividade com juros menores pode encolher justamente quando o crescimento esperado perde força.

📊 Número do Dia

4,32% : Projeção dos analistas para a inflação pelo IPCA em 2027, alta de 0,02 ponto percentual ante o levantamento anterior do Focus.

Por que isso importa

A revisão combina menor crescimento esperado com inflação projetada mais alta em 2027. Essa tensão pode limitar o espaço para reduzir juros e aliviar o custo do crédito para famílias e empresas.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/economistas-aumentam-previsao-da-inflacao-no-proximo-ano.shtml