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domingo, 25 de outubro de 2026 Brasil

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BC corta projeção de PIB e mantém inflação acima da meta

O Banco Central reduziu de 2% para 1,8% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026 e manteve em 5,2% a estimativa de inflação para o fim do ano, segundo o Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (24), conforme reportagem da Agência Brasil.

Banco Central reduz projeção de crescimento do PIB em 2026 de 2% para 1,8% e mantém inflação estimada em 5,2%, com Selic em 13,75% ao ano.

O documento do Banco Central desenha um quadro desconfortável: atividade perdendo tração, inflação ainda acima da meta e juros básicos em 13,75% ao ano. Não é recessão, mas também não é o cenário de pouso suave que costuma acompanhar ciclos de aperto bem-sucedidos.

Os números do relatório

A desaceleração está documentada. O PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre deste ano, após expansão de 1,1% no trimestre anterior. Os primeiros indicadores do terceiro trimestre, segundo o BC, sugerem continuidade desse movimento. Diante disso, a projeção para 2026 caiu para 1,8%, com estimativa de 1,4% para 2027.

A inflação recuou, mas não o suficiente. O IPCA acumulado em 12 meses passou de 4,72% em maio para 4,22% em agosto. No cenário de referência do Copom, o índice acumulado em quatro trimestres deve recuar para 4,4% no terceiro trimestre deste ano e voltar a subir para 5,2% no fim de 2026. Para o primeiro trimestre de 2028, a projeção permaneceu em 3,2%, embora o BC afirme que a trajetória projetada se tornou mais elevada de forma geral.

Por que a inflação resiste com a economia esfriando

A resposta está no mercado de trabalho. O relatório aponta que a inflação de serviços segue elevada em cenário de mercado de trabalho aquecido e hiato do produto positivo. Hiato do produto é a diferença entre o que a economia produz e o que conseguiria produzir sem pressionar preços. Quando ele é positivo, a demanda corre à frente da capacidade instalada, e o excesso vaza para os preços.

Serviços são intensivos em mão de obra e pouco expostos à concorrência importada. Com desocupação em nível historicamente baixo e geração de empregos com carteira assinada ainda positiva, ainda que em ritmo menor, salários sustentam o consumo e as empresas conseguem repassar custos. É um mecanismo que reage com atraso ao juro alto.

O custo do desancoramento

O ponto mais delicado do relatório é expectacional. As expectativas de inflação permanecem acima da meta em todo o horizonte de projeção. Quando empresas e famílias deixam de acreditar que a inflação convergirá, elas passam a reajustar contratos e preços preventivamente. A inflação esperada vira inflação realizada, e o Banco Central precisa manter juros altos por mais tempo para reconquistar credibilidade.

Esse é o custo econômico da desancoragem: menos crescimento hoje para comprar convergência amanhã. O BC já cortou a Selic para 13,75% ao ano na reunião de setembro, mas afirma que o cenário, marcado por incertezas, desancoragem e riscos inflacionários, exige cautela. Some-se a isso o ambiente externo incerto, com conflitos no Oriente Médio e dúvidas sobre a política monetária em economias avançadas.

Para empresas endividadas e investimentos de longo prazo, a mensagem é clara: o crédito continuará caro por mais tempo do que a desaceleração isoladamente justificaria.

📊 Número do Dia

1,8% — Nova projeção do Banco Central para o crescimento do PIB brasileiro em 2026, reduzida de 2% no Relatório de Política Monetária divulgado em 24 de setembro

Por que isso importa

Crescimento menor com inflação projetada acima da meta significa que o Banco Central tem pouco espaço para acelerar a queda dos juros. Para empresas, isso implica crédito caro por mais tempo e decisões de investimento adiadas. Para trabalhadores, um mercado ainda aquecido hoje, mas com geração de empregos já em ritmo menor.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-09/bc-reduz-projecao-de-crescimento-da-economia-para-18