A inteligência artificial está transformando o mercado de trabalho em velocidade sem precedentes, e empresas brasileiras começam a responder com uma aposta inédita: educação ilimitada para seus funcionários. Em debate realizado em São Paulo, líderes da AWS (Amazon Web Services), iFood, Cogna Educação e de conselhos do Santander e Grupo RD Saúde discutiram como a qualificação contínua se tornou estratégica tanto para os negócios quanto para reduzir a desigualdade no país.
Segundo Paula Bellizia, vice-presidente da AWS na América Latina, o momento atual é único. “Nunca tivemos todos os vetores sendo mexidos ao mesmo tempo e na velocidade que a gente tem hoje”, afirmou ela, segundo reportagem do O Globo. A executiva destacou que, embora a tecnologia esteja disponível e avance rapidamente, o diferencial competitivo virá do investimento nas pessoas. É como se a IA fosse um carro potente: sem motoristas bem treinados, ele não sai do lugar.
O iFood, que tem 8 mil colaboradores, passou a oferecer em junho um benefício de educação ilimitada — uma espécie de “plano de saúde educacional”. O CEO Diego Barreto revelou que “pela primeira vez em 10 anos de iFood, a gente viu uma plataforma de educação funcionar”. O modelo permite que funcionários acessem cursos de instituições como PUC-PR, Mackenzie, Fundação Dom Cabral e até universidades estrangeiras, pagando um valor fixo mensal por pessoa. Para cada real investido, o colaborador consome em média quatro reais em educação — um retorno de 4 vezes o investimento.
O risco da desigualdade
Mas a discussão foi além da eficiência corporativa. Rodrigo Galindo, chairman da Cogna Educação, lembrou que a IA não impactará apenas gestores e desenvolvedores. “Nas empresas de vocês, certamente há pontos de operação que não estão nos grandes centros. Essas pessoas também merecem acesso à educação de qualidade”, alertou. A preocupação é que, sem democratização do acesso ao conhecimento, a IA amplie o fosso entre quem domina a tecnologia e quem é substituído por ela.
Cristiana Pipponzi, conselheira do Santander e RD Saúde, foi direta: “Vejo um risco muito real de amplificação da desigualdade social se a gente não mudar a direção de como tem olhado para a educação no país”. Para ela, a educação precisa ser tratada como agenda de desenvolvimento econômico, envolvendo indivíduos, empresas e Estado. A título de comparação, países como Cingapura e Coreia do Sul investiram pesadamente em educação técnica e digital nas últimas décadas e hoje lideram rankings de inovação e produtividade — enquanto o Brasil ainda patina em indicadores básicos de alfabetização e matemática.
Mais de 150 grandes empresas brasileiras, incluindo Bayer, Bradesco, Heineken e Solar Coca-Cola, já adotaram o modelo de educação ilimitada, beneficiando mais de 200 mil profissionais, segundo a Unico Skill, startup que criou o benefício e foi eleita uma das 100 Startups to Watch em 2025 pela revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios.
📊 Número do Dia
4x , Retorno sobre investimento do benefício educação: para cada R$ 1 investido pela empresa, o colaborador consome R$ 4 em cursos de qualidade
Por que isso importa
Para o cidadão, a expansão de benefícios educacionais pode significar acesso a qualificação antes restrita a quem podia pagar do próprio bolso — uma chance real de mobilidade social. Para as empresas, funcionários mais qualificados aumentam produtividade e inovação, especialmente num momento em que a IA exige novas competências. Para o país, democratizar educação de qualidade é a diferença entre surfar a onda da IA ou afundar ainda mais na desigualdade e na baixa competitividade global.
Fonte original: https://oglobo.globo.com/patrocinado/dino/noticia/2026/06/17/unico-skill-reune-aws-e-ifood-para-debater-ia-e-educacao-1.ghtml


