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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Governo dobra crédito para caminhões e reduz juros

O governo federal lançou nesta quinta-feira (30) a segunda fase do programa Move Brasil, dobrando o crédito disponível para renovação da frota de caminhões de R$ 10 bilhões para R$ 21,2 bilhões. A nova etapa inclui financiamento de ônibus e reduz juros para caminhoneiros autônomos de 14% para 11,3% ao ano.

Homem de boné assinando documentos em balcão de atendimento com funcionária pública, bandeira do Brasil ao fundo, crédito governamental
Cidadão assina documentos em repartição pública para acessar linha de crédito governamental.

O programa Move Brasil acaba de ganhar fôlego: o governo federal anunciou R$ 21,2 bilhões em crédito subsidiado para renovação da frota de caminhões, ônibus e implementos rodoviários — mais que o dobro dos R$ 10 bilhões da primeira fase, esgotados em apenas três meses. Segundo a Agência Brasil, a iniciativa é operada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o banco público de fomento) em parceria com outras instituições financeiras, com recursos do próprio BNDES (R$ 6,7 bilhões) e do Tesouro Nacional (R$ 14,5 bilhões).

A mudança mais significativa atinge os caminhoneiros autônomos — aqueles que trabalham por conta própria, sem vínculo com grandes transportadoras. Eles agora podem parcelar o financiamento em até 10 anos (120 meses), com carência de 12 meses para começar a pagar, e a taxa de juros caiu para 11,3% ao ano. Antes, a carência era de apenas seis meses, o prazo máximo era de cinco anos e os juros superavam 14%. Para entender: é como se o caminhoneiro tivesse um ano inteiro para começar a gerar receita com o veículo novo antes de pagar a primeira parcela, e pudesse diluir o custo por uma década — condições bem mais generosas que as de um financiamento de automóvel comum, que costuma ter juros acima de 20% ao ano no Brasil.

O transporte rodoviário move cerca de 60% das cargas do país, segundo o governo, mas enfrenta um problema crônico: a frota está velha. Caminhões obsoletos consomem mais combustível, poluem mais, quebram com frequência e aumentam o risco de acidentes. Isso encarece o frete — custo que acaba repassado ao preço final de alimentos, roupas e todos os produtos que chegam ao consumidor. A título de comparação, nos Estados Unidos o transporte rodoviário responde por cerca de 70% das cargas, mas a idade média da frota é menor e há programas de renovação mais consolidados, o que contribui para maior eficiência logística.

O que muda na prática

Além de caminhões, a nova fase do Move Brasil passa a financiar ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários (reboques, carrocerias). O valor máximo por beneficiário continua em R$ 50 milhões. Para os autônomos, foram reservados R$ 2 bilhões do total. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou esperar que os fabricantes reduzam os preços dos veículos como contrapartida — uma forma de pressão para que parte do subsídio público se traduza em preços menores, e não apenas em margem maior para a indústria.

O presidente Lula cobrou publicamente os bancos públicos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES) por maior agilidade na liberação de crédito para os pequenos. Segundo ele, de R$ 1 bilhão destinado inicialmente aos autônomos, apenas R$ 200 milhões haviam sido liberados, porque os bancos preferem atender grandes empresas — “é muito melhor receber um cliente só para pedir R$ 2 bilhões, do que receber 1 mil clientes para pegar R$ 2 mil cada um”, disse o presidente. A crítica expõe um dilema clássico do crédito subsidiado: os recursos públicos podem acabar concentrados nas mãos de quem já tem acesso facilitado ao mercado financeiro.

Exigências ambientais e reciclagem

Os financiamentos estão condicionados a critérios de sustentabilidade: veículos com menor consumo de combustível e menores emissões de poluentes têm prioridade. Quem entregar um caminhão velho para reciclagem consegue taxas ainda mais reduzidas, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa. A medida busca retirar de circulação os veículos mais antigos e poluentes, alinhando a política industrial a compromissos climáticos — embora o Brasil ainda não tenha metas tão rígidas quanto a União Europeia, que planeja banir caminhões a diesel até 2040.

O programa foi viabilizado por duas Medidas Provisórias (MPs) assinadas por Lula. A primeira autoriza a União a aportar até R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), que funciona como um “fiador” para micro, pequenas e médias empresas obterem crédito. A segunda cria um Crédito Extraordinário de R$ 17 bilhões para cobrir os aportes no FGI, no Move Brasil e no Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE). Crédito Extraordinário é um mecanismo que permite ao governo gastar fora do teto orçamentário em situações excepcionais — neste caso, para viabilizar a política industrial.

📊 Número do Dia

R$ 21,2 bilhões — Volume total de crédito disponibilizado na segunda fase do Move Brasil, mais que o dobro da primeira etapa

Por que isso importa

A renovação da frota de caminhões impacta diretamente o bolso do cidadão: veículos mais eficientes reduzem o custo do frete, que representa parcela significativa do preço final de alimentos e produtos. Para o caminhoneiro autônomo, as novas condições de financiamento — juros menores e prazo maior — podem viabilizar a troca de um veículo velho por um novo, aumentando a renda líquida e a segurança no trabalho. Para a indústria automotiva, o programa representa fôlego de demanda num setor que vinha enfrentando queda nas vendas. E para o investidor, sinaliza aposta do governo em política industrial ativa, com impacto fiscal relevante — os R$ 17 bilhões em Crédito Extraordinário pressionam as contas públicas, mas podem gerar retorno em forma de maior eficiência logística e arrecadação futura.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/governo-melhora-condicoes-e-dobra-credito-para-compra-de-caminhoes