A Bernstein manteve classificação de “outperform” (desempenho acima da média do mercado) e preço-alvo de US$ 330 para as ações da Coinbase, que hoje são negociadas em torno de US$ 193. Isso representa um potencial de valorização de 71%, conforme análise divulgada pela corretora após a divulgação dos resultados trimestrais da empresa, segundo o The Block.
A aposta da Bernstein se baseia no que os analistas chamam de estratégia “everything exchange” (exchange de tudo, em tradução livre). Na prática, isso significa que a Coinbase está deixando de ser apenas uma plataforma para comprar e vender Bitcoin e outras criptomoedas, e se transformando em um hub completo de serviços financeiros digitais. A empresa oferece hoje desde custódia (guarda segura de ativos digitais para instituições) até produtos de staking (uma forma de “emprestar” suas criptomoedas para validar transações na rede e receber remuneração por isso, similar a um investimento de renda fixa no mundo tradicional).
Para contextualizar o cenário brasileiro, a Coinbase não opera diretamente no Brasil, mas sua performance é observada de perto por investidores locais. Exchanges brasileiras como Mercado Bitcoin e Foxbit seguem trajetória parecida de diversificação, oferecendo cada vez mais produtos além da simples compra e venda de criptomoedas. Além disso, investidores brasileiros podem ter exposição indireta à Coinbase através de fundos internacionais ou BDRs (Brazilian Depositary Receipts, recibos de ações estrangeiras negociados na B3).
Os resultados do primeiro trimestre de 2025 da Coinbase ficaram abaixo das expectativas do mercado, segundo o The Block, refletindo um período de menor volatilidade e volume de negociações no mercado cripto global (em janela temporal de janeiro a março de 2025, conforme calendário fiscal da empresa). Mesmo assim, a Bernstein argumenta que a diversificação de receitas da empresa, com serviços institucionais e produtos de infraestrutura blockchain, compensa a fraqueza no volume de trading de varejo.
A título de comparação com o mercado brasileiro, uma queda de 71% no preço de uma ação seria considerada catastrófica. Mas no caso da Coinbase, a Bernstein projeta o oposto: uma alta de 71%, o que mostra a confiança dos analistas na recuperação e na estratégia de longo prazo da empresa. Para efeito de referência, ações de empresas brasileiras de tecnologia como Stone e PagSeguro já apresentaram variações dessa magnitude em períodos de 12 a 18 meses, segundo dados históricos da B3.
📊 Número do Dia
71% , Potencial de valorização projetado pela Bernstein para as ações da Coinbase, de US$ 193 para US$ 330
Por que isso importa
A análise da Bernstein sinaliza que o mercado institucional está apostando na transformação das exchanges de criptomoedas em plataformas financeiras completas, não apenas casas de câmbio digital. Para o investidor brasileiro, isso reforça a tendência de profissionalização do setor cripto global e pode influenciar a forma como exchanges locais estruturam seus produtos. Além disso, a confiança de analistas tradicionais em empresas cripto, mesmo após trimestres fracos, indica maturidade crescente do setor aos olhos do mercado financeiro convencional.













