O Bitcoin está ganhando terreno do ouro como ativo de proteção contra a desvalorização de moedas tradicionais, segundo analistas do JPMorgan. Conforme reportou o site The Block, o banco americano identificou uma mudança no comportamento de investidores desde o início do conflito envolvendo o Irã. O movimento representa uma virada na preferência histórica pelo metal precioso em momentos de tensão geopolítica.
O termo “debasement trade” (operação de proteção contra desvalorização) refere-se à estratégia de investidores que buscam ativos que preservem valor quando governos imprimem dinheiro em excesso ou quando moedas tradicionais perdem poder de compra. Historicamente, o ouro sempre foi a primeira escolha nesse tipo de cenário, funcionando como uma espécie de seguro contra a inflação e a instabilidade política. Agora, segundo o JPMorgan, o Bitcoin (a maior criptomoeda do mundo, que funciona como uma moeda digital descentralizada, sem controle de governos ou bancos centrais) está assumindo parte desse papel.
A análise do banco não detalha números específicos de fluxo de capital entre os dois ativos na janela temporal analisada, mas aponta uma tendência observada desde o início das tensões no Irã. Para contextualizar, o ouro é negociado há milênios como reserva de valor, enquanto o Bitcoin existe há apenas 16 anos e ainda é considerado um ativo de alta volatilidade (ou seja, seu preço oscila muito mais que o do ouro ou de ações tradicionais). A título de comparação, o ouro raramente varia mais de 2% em um único dia, enquanto o Bitcoin pode subir ou cair 5% a 10% em 24 horas, mesmo em períodos de relativa estabilidade.
Para o investidor brasileiro, a análise do JPMorgan reforça o papel crescente do Bitcoin como alternativa ao ouro em carteiras de proteção. No Brasil, tanto o ouro quanto o Bitcoin podem ser acessados por meio de fundos e ETFs (fundos negociados em bolsa, como se fossem ações) listados na B3. O ouro pode ser comprado via contratos futuros ou fundos como o GOLD11, enquanto o Bitcoin está disponível em ETFs como HASH11, BITH11 e QBTC11. A escolha entre um e outro depende do perfil de risco: o ouro oferece estabilidade histórica, enquanto o Bitcoin traz potencial de valorização maior, mas com oscilações bem mais intensas.
📊 Número do Dia
16 anos , Idade do Bitcoin, que agora compete com o ouro (negociado há milênios) como ativo de proteção contra desvalorização de moedas.
Por que isso importa
A preferência crescente pelo Bitcoin em vez do ouro em momentos de crise geopolítica sinaliza uma mudança estrutural no comportamento de investidores globais. Para o brasileiro que investe em cripto ou que considera diversificar sua carteira, isso reforça o papel do Bitcoin como ativo de proteção, mas exige atenção redobrada: a volatilidade da criptomoeda é muito maior que a do ouro, e o investidor precisa estar preparado para oscilações bruscas de preço. A análise do JPMorgan, um dos maiores bancos do mundo, também legitima o Bitcoin como classe de ativo relevante, o que pode influenciar a regulação e a oferta de produtos cripto no Brasil.
Fonte original: https://www.theblock.co/post/400486/jpmorgan-bitcoin-over-gold-debasement-trade-iran-conflict?utm_source=rss&utm_medium=rss












