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Desigualdade de renda volta a subir no Brasil

Diferença de renda entre ricos e pobres no Brasil sobe para 13,8 vezes em 2025, segundo IBGE, interrompendo queda iniciada em 2021. Entenda os dados.
A diferença de renda entre os 10% mais ricos e os 40% mais pobres do Brasil aumentou de 13,2 para 13,8 vezes entre 2024 e 2025, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (8).

Em 2025, os 10% mais ricos da população brasileira receberam em média R$ 9.117 por mês, enquanto os 40% mais pobres ficaram com apenas R$ 663. Essa diferença de 13,8 vezes representa um aumento em relação a 2024, quando a relação estava em 13,2 vezes, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para entender esses números: o IBGE somou todas as formas de rendimento das famílias — salários, aposentadorias, pensões, benefícios sociais como o Bolsa Família, aluguéis e até rendimentos de aplicações financeiras — e dividiu pelo número de pessoas que moram na casa. É como calcular quanto cada pessoa da família tem disponível por mês, considerando tudo que entra no orçamento doméstico.

Por que a desigualdade voltou a crescer

O aumento da desigualdade em 2025 ocorreu porque a renda dos mais ricos cresceu mais rápido que a dos mais pobres. Descontada a inflação (ou seja, o aumento geral dos preços), o rendimento dos 10% mais ricos subiu 8,7%, enquanto o dos 40% mais pobres avançou 4,7%. É como se, numa corrida, quem já estava na frente tivesse acelerado o passo.

Apesar da piora recente, o índice de 2025 ainda é o segundo melhor desde 2012, quando o IBGE começou a série histórica. O pior momento foi em 2021, quando os ricos ganhavam 17 vezes mais que os pobres. Desde então, a desigualdade vinha caindo consistentemente, impulsionada pelo aquecimento do mercado de trabalho e pela expansão de programas sociais, segundo o analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes.

Comparação internacional

A título de comparação, o Brasil permanece entre os países mais desiguais do mundo. O Índice de Gini brasileiro — que mede desigualdade numa escala de zero (igualdade total) a um (desigualdade máxima) — ficou em 0,511 em 2025, acima dos 0,504 de 2024. Segundo dados da OCDE, países desenvolvidos como Alemanha (0,29) e França (0,30) apresentam índices bem inferiores, enquanto nações latino-americanas como Chile (0,45) e México (0,46) também ficam abaixo do Brasil.

Desigualdade regional agrava o problema

A desigualdade brasileira tem duas faces: entre ricos e pobres, e entre regiões. No Sul do país, os 40% mais pobres recebem R$ 978 por mês, mais que o dobro dos R$ 449 recebidos pelos mais pobres do Nordeste. É como se houvesse dois Brasis convivendo sob a mesma bandeira.

O Distrito Federal lidera a desigualdade estadual, com os ricos ganhando 19,7 vezes mais que os pobres. Na outra ponta, Santa Catarina apresenta a menor diferença do país: 8,4 vezes. São Paulo, maior economia nacional, registra relação de 11,9 vezes, ficando em 12º lugar entre os estados menos desiguais.

📊 Número do Dia

13,8 vezes — Diferença entre o rendimento médio mensal dos 10% mais ricos (R$ 9.117) e dos 40% mais pobres (R$ 663) no Brasil em 2025

Por que isso importa

Para o cidadão, a desigualdade elevada significa que o crescimento econômico não beneficia todos igualmente — mesmo com a renda média das famílias batendo recorde em 2025, a distância entre ricos e pobres voltou a aumentar. Para empresas, indica mercados consumidores fragmentados, com poder de compra muito diferente entre regiões. Para investidores, sinaliza riscos políticos e sociais de longo prazo, já que países muito desiguais tendem a enfrentar maior instabilidade e pressões por redistribuição via impostos ou gastos públicos.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/rendimento-dos-mais-ricos-e-138-vezes-maior-que-o-dos-mais-pobres

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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