O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou um conjunto de medidas que muda as regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o mecanismo que funciona como um seguro para quem investe em produtos bancários como CDBs (Certificados de Depósito Bancário). Segundo a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), as mudanças chegam em momento oportuno para reduzir riscos e evitar que problemas isolados em bancos específicos se transformem em crises mais amplas.
O FGC protege investimentos de até R$ 250 mil por CPF ou empresa em caso de quebra de uma instituição financeira, com limite de R$ 1 milhão a cada quatro anos. A principal novidade é a criação do Ativo de Referência (AR), um indicador que mede a qualidade e a liquidez dos ativos que um banco possui — ou seja, a capacidade de transformar investimentos em dinheiro rapidamente. Funciona como uma régua: bancos que captam muito dinheiro com proteção do FGC, mas investem em ativos arriscados ou difíceis de vender, serão obrigados a aplicar parte desses recursos em títulos públicos federais, considerados mais seguros.
Segundo a ABBC, a medida atende a uma demanda antiga do setor ao criar uma ligação direta entre o volume captado com garantia do FGC e a qualidade dos ativos dos bancos. A intenção é desestimular estratégias agressivas de crescimento, especialmente quando associadas a ativos de maior risco e menor transparência. A entidade destacou em nota que a iniciativa é “positiva e oportuna para responder à evolução recente do mercado”.
O que motivou a mudança
O aperto regulatório ocorre após episódios recentes de instabilidade no sistema financeiro, como o colapso do Banco Master, liquidado pelo Banco Central. O caso chamou atenção porque o banco oferecia rendimentos elevados para atrair investidores, mas mantinha grande parte dos recursos em ativos de baixa liquidez — imagine uma loja que vende muito, mas não consegue pagar fornecedores porque todo o dinheiro está preso em mercadorias difíceis de revender.
As novas regras também combatem o chamado “risco moral”, situação em que instituições assumem mais riscos por saberem que contam com algum tipo de proteção, como a cobertura do FGC. É como dirigir de forma imprudente porque se tem um seguro de carro: a proteção existe, mas não deve incentivar comportamentos arriscados.
Exigências de liquidez mais rígidas
Além das mudanças no FGC, o CMN ampliou as exigências de liquidez dos bancos, alinhando o Brasil a padrões internacionais como o acordo de Basileia 3 (um conjunto de regras globais para fortalecer o sistema financeiro). O principal indicador, conhecido como Razão de Cobertura de Liquidez (LCR), mede se a instituição tem recursos suficientes para enfrentar um cenário de estresse por 30 dias.
Agora, essa exigência passa a valer também para bancos de médio porte, enquanto instituições menores terão uma versão simplificada, chamada LCRS. O cronograma prevê que, em 2027, os bancos cumpram inicialmente 90% das exigências, chegando a 100% na etapa final. A título de comparação, países como Estados Unidos e membros da União Europeia já adotam regras semelhantes desde a crise financeira de 2008, quando a falta de liquidez de grandes bancos quase derrubou o sistema financeiro global.
📊 Número do Dia
R$ 250 mil — Limite de proteção do FGC por CPF ou empresa em caso de quebra de banco, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos
Por que isso importa
Para o investidor, as mudanças reforçam a segurança do sistema financeiro, mas podem reduzir a oferta de CDBs com rendimentos muito elevados, já que bancos terão menos incentivo para captar recursos de forma agressiva. Para os bancos, as novas regras exigem maior disciplina na gestão de ativos e podem limitar estratégias de crescimento acelerado. Para o cidadão comum, a medida reduz o risco de crises bancárias que possam afetar a economia como um todo, preservando empregos e a estabilidade de preços.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/bancos-apoiam-novas-regras-do-fgc-apos-decisao-do-cmn












