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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Afastamentos por saúde mental crescem 15,6% no Brasil

O Brasil registrou 546.254 afastamentos do trabalho por transtornos mentais e comportamentais em 2025, segundo dados da Previdência Social. O número representa um aumento de 15,6% em relação ao ano anterior, quando foram concedidos 472.328 benefícios por incapacidade temporária relacionados a esse tipo de doença.

Executivo com as mãos na cabeça em posição de estresse durante reunião com gestora em escritório corporativo saúde mental
Afastamentos por questões de saúde mental no ambiente corporativo registram alta de 15,6% no Brasil.

O Brasil enfrenta uma crise silenciosa de saúde mental no ambiente de trabalho. Segundo dados da Previdência Social, o país registrou 546.254 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais em 2025 — um crescimento de 15,6% em relação aos 472.328 casos de 2024. Para dimensionar: é como se a população inteira de Curitiba precisasse se afastar do trabalho por problemas psicológicos em apenas um ano.

Os transtornos de ansiedade e os episódios depressivos lideram as causas dos afastamentos. As mulheres são as mais afetadas, representando 63% dos casos — uma proporção que reflete tanto a maior vulnerabilidade feminina a certos transtornos quanto, possivelmente, uma maior disposição para buscar ajuda médica. Ansiedade, neste contexto, refere-se a um estado de preocupação excessiva e persistente que interfere nas atividades diárias, enquanto depressão envolve tristeza profunda, perda de interesse e alterações no sono e apetite.

O peso das jornadas prolongadas

Especialistas apontam que a forma como o trabalho é organizado no Brasil contribui diretamente para o adoecimento mental. “Quando falamos de saúde mental no trabalho, também precisamos discutir como as jornadas são organizadas”, afirma o líder sindical Maurício Briquinho, segundo reportagem do O Globo. Jornadas prolongadas, pressão excessiva por resultados e a falta de equilíbrio entre vida profissional e pessoal aparecem como fatores centrais.

Ricardo Antunes, sociólogo do trabalho e professor titular da Unicamp, destaca que as transformações recentes nas relações de trabalho — como a intensificação do ritmo e a insegurança no emprego — têm agravado a sobrecarga psicológica dos trabalhadores. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) reforça a importância da identificação e gestão de riscos psicossociais, incluindo fatores como pressão excessiva e jornadas extenuantes.

Comparação internacional

A título de comparação, países europeus como França e Alemanha têm investido em políticas de prevenção ao burnout (esgotamento profissional) há mais de uma década, com jornadas de trabalho mais curtas e maior fiscalização das condições laborais. No Brasil, o debate sobre saúde mental no trabalho ainda é recente, mas os números crescentes de afastamentos indicam urgência na adoção de medidas preventivas.

📊 Número do Dia

546.254 , afastamentos do trabalho por transtornos mentais registrados no Brasil em 2025, alta de 15,6% ante 2024

Por que isso importa

Para as empresas, o aumento dos afastamentos representa custos diretos com substituição de funcionários e perda de produtividade, além de possíveis passivos trabalhistas. Para o trabalhador, significa maior vulnerabilidade à perda de renda e agravamento de condições de saúde. Para o sistema previdenciário, a tendência crescente pressiona os gastos públicos com benefícios por incapacidade. O cenário exige atenção redobrada a políticas de prevenção, melhoria das condições de trabalho e equilíbrio entre vida profissional e pessoal — temas que devem ganhar espaço na agenda corporativa e regulatória nos próximos anos.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/patrocinado/dino/noticia/2026/04/24/brasil-registra-546254-afastamentos-por-saude-mental-1.ghtml