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terça-feira, 25 de agosto de 2026 Brasil

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Biometano cresce 1.800% no Brasil em seis anos

A indústria de biometano no Brasil registrou expansão acelerada desde 2020, saltando de uma para 19 plantas em operação. Com 45 novas instalações em construção, a capacidade de produção pode triplicar até o fim da década, impulsionada por metas de descarbonização e pela Lei do Combustível do Futuro.

Trabalhador de capacete operando válvulas em tubulação industrial com logo Biomassa Brasil, energia renovável
Operações em usina de biomassa refletem crescimento do setor de biocombustíveis no país.

O Brasil vive um boom na produção de biometano, combustível que pode reduzir em até 99% as emissões de carbono em comparação com combustíveis fósseis. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o número de plantas em operação saltou de uma, em 2020, para 19, em 2026 — um crescimento de 1.800%. Com outras 45 instalações em construção, a capacidade diária de produção nacional pode saltar dos atuais 1,2 milhão de metros cúbicos para 3 milhões de metros cúbicos.

O biometano é produzido a partir da decomposição de matéria orgânica — lixo urbano, resíduos agrícolas e dejetos de animais — em ambiente controlado e sem oxigênio. Após purificação, o biogás resultante se transforma em biometano, com composição química quase idêntica ao gás natural e a mesma eficiência energética. Isso permite que ambos sejam misturados na mesma rede de dutos, aproveitando a infraestrutura já existente — como se fosse possível usar o mesmo encanamento para dois tipos de água.

Metas de descarbonização aceleram demanda

Em abril de 2026, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) estabeleceu meta de redução de 0,5% nas emissões de gases de efeito estufa para o mercado de gás natural, a ser cumprida por produtores e importadores via consumo de biometano. A medida, prevista na Lei do Combustível do Futuro de 2024, começaria em 1%, mas foi ajustada com base em balanços recentes de oferta e demanda. Segundo a ANP, a produção de biometano em fevereiro de 2026 foi de 10,6 milhões de metros cúbicos — média de 380 mil m³ por dia —, indicando que a capacidade instalada ainda não é plenamente utilizada.

A expectativa é que a regulação impulsione novos investimentos. Segundo Tiago Santovito, diretor-executivo da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), a produção de biometano no país já atraiu cerca de R$ 3 bilhões em aportes. Outra vantagem competitiva é o preço: definido no mercado doméstico, o biometano fica menos exposto às oscilações do câmbio e do petróleo, ao contrário do diesel e do gás natural importado.

Comparação internacional

A título de comparação, a Alemanha é líder mundial na produção de biometano, com mais de 200 plantas em operação e capacidade instalada superior a 10 milhões de metros cúbicos diários. O Brasil, com 19 plantas, ainda está no início da curva de crescimento, mas o ritmo de expansão — 1.800% em seis anos — supera o observado em mercados europeus na mesma fase de desenvolvimento.

Modelos de negócio inovadores

A Gás Verde adotou a estratégia de instalar usinas dentro de aterros sanitários para produzir biometano a partir de resíduos sólidos urbanos. A empresa já opera duas plantas, em Seropédica (RJ) e São Paulo, e prevê chegar a 11 até 2029, elevando a capacidade de 160 mil para 650 mil metros cúbicos diários. O investimento planejado é de R$ 900 milhões nos próximos três anos, com foco em regiões industriais da Bahia, Maranhão, Minas Gerais e Pernambuco.

A H2A Bioenergia inaugurou em março sua primeira planta em Campos Novos (SC), com investimento de R$ 65 milhões, produzindo biometano a partir de dejetos de porcos. A empresa planeja investir R$ 2,9 bilhões até 2031 para implantar 22 usinas no Centro-Sul, aproveitando resíduos do agronegócio e criando receita para produtores rurais que antes arcavam com custos de armazenamento e tratamento desses materiais. Segundo o diretor-presidente Adilson Teixeira Lima, o biometano sai da planta custando 50% do valor do diesel, com contratos de 10 a 15 anos reajustados pelo IPCA (índice que mede a inflação oficial do país).

Desafios e potencial

A ABiogás estima que o Brasil tem potencial teórico de produção de 120 milhões de metros cúbicos de biometano por dia — 40 vezes a capacidade atual. Para destravar esse potencial, seria necessário maior reaproveitamento de resíduos, avanço no fechamento de lixões (prazo legal venceu em agosto de 2024, mas não foi cumprido) e desburocratização do licenciamento ambiental. Segundo Marcio Pereira, do BMA Advogados, simplificar processos em casos onde questões ambientais já foram analisadas na licença do aterro sanitário é fator relevante para fomentar novos negócios.

📊 Número do Dia

1.800% , Crescimento no número de plantas de biometano no Brasil entre 2020 e 2026, saltando de 1 para 19 unidades

Por que isso importa

Para empresas com metas de descarbonização, o biometano oferece alternativa competitiva ao diesel e ao gás natural, com preço 50% menor que o diesel e contratos de longo prazo protegidos da volatilidade cambial. Para o cidadão, a expansão do setor pode reduzir custos de transporte e energia, além de resolver o problema ambiental do acúmulo de resíduos urbanos e rurais. Para investidores, o setor já atraiu R$ 3 bilhões e projeta mais R$ 3,8 bilhões em novos aportes até 2031, com retorno garantido por regulação governamental que obriga produtores de gás natural a consumir biometano.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/transicao-energetica/noticia/2026/04/16/com-capacidade-de-reduzir-ate-99percent-nas-emissoes-de-carbono-biometano-registra-boom-no-brasil.ghtml