O levantamento analisou dados trimestrais de 2015 a 2026 sobre escritórios das categorias A+, A e B em 12 regiões corporativas paulistanas. A SiiLA cruzou indicadores próprios com séries do Banco Central, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Tesouro Nacional. A correlação identificada não comprova causalidade, ressalva importante para interpretar o intervalo estimado.
A relação ajuda a enquadrar uma aparente contradição: mesmo com juros elevados, a parcela de imóveis desocupados nas principais regiões corporativas da cidade está caindo, segundo a Folha. No terceiro trimestre de 2026, a absorção líquida de escritórios de alto padrão chegou a 118 mil metros quadrados. Esse indicador mede o saldo entre áreas ocupadas e devolvidas no período.
Por que a ocupação pode demorar a reagir
Juros mais altos encarecem o crédito e podem reduzir a disposição das empresas para investir e ampliar operações. Se esse freio alcançar a demanda por escritórios, seu efeito pode aparecer apenas quando as empresas executarem mudanças de espaço ou revisarem contratos. Essa é uma explicação econômica possível para a defasagem, não uma comprovação do caminho percorrido em cada locação.
Por isso, a ocupação observada hoje não precisa refletir integralmente as condições atuais de financiamento. Para proprietários e empresas que procuram espaço, a consequência é concreta: não basta olhar a Selic para antecipar disponibilidade de imóveis ou negociar aluguéis.
Oferta prevista fica abaixo da demanda passada
O modelo da SiiLA projeta crescimento da absorção bruta, que soma a área alugada ou ocupada sem descontar as devoluções. Esse indicador equivale a 9,4% do estoque no acumulado de 12 meses e, pela projeção, chegaria a cerca de 10,9% no quarto trimestre de 2027.
Do lado da oferta, estão previstos, em média, 117 mil metros quadrados de novos escritórios por ano em 2027 e 2028. É menos da metade da absorção líquida média anual de 268 mil metros quadrados registrada em 2024 e 2025. A comparação contrapõe entregas futuras a demanda passada; não demonstra que o mesmo ritmo de ocupação continuará.
Se a procura permanecer forte e as entregas seguirem o volume previsto, a menor disponibilidade poderá pressionar aluguéis, mesmo com crédito caro. O atraso na reação aos juros e a oferta limitada podem coexistir: o primeiro adia o ajuste da demanda; a segunda restringe as alternativas das empresas que precisam de espaço.
📊 Número do Dia
15 meses : Intervalo apontado pelo estudo da SiiLA entre decisões sobre a Selic e queda na ocupação de escritórios em São Paulo, com dados de 2015 a 2026.
Por que isso importa
Juros elevados podem demorar a afetar a procura por escritórios. Se a demanda continuar forte diante das entregas previstas, empresas que buscam espaço poderão enfrentar pressão nos aluguéis.
