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quinta-feira, 22 de outubro de 2026 Brasil

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Tether defende bloqueios, mas admite migração de agentes ilícitos

O presidente-executivo da Tether, Paolo Ardoino, defendeu em 19 de outubro os bloqueios feitos pela empresa contra atividades suspeitas ligadas ao Irã. Segundo a CoinDesk, a manifestação responde a um relatório de democratas do Senado dos Estados Unidos que acusa a emissora de sustentar parte da rede financeira paralela iraniana.

Tether contesta relatório do Senado americano sobre o Irã. Defesa dos bloqueios de USDT expõe a diferença entre restringir uma rota e eliminar atividades ilícitas.

A Tether respondeu em 19 de outubro a acusações de que suas stablecoins alimentaram atividades financeiras no Irã. Segundo a CoinDesk, Paolo Ardoino, presidente-executivo da empresa, afirmou que os bloqueios da emissora frequentemente antecedem sanções oficiais. A defesa contesta um relatório publicado em setembro por democratas do Subcomitê Permanente de Investigações do Senado americano, sob liderança do senador Richard Blumenthal.

A disputa envolve períodos diferentes

O relatório parlamentar examinou vários anos e destacou, em parte, o período anterior a 2024. Segundo o documento, a Tether não bloqueava de forma abrangente carteiras sinalizadas, o que teria favorecido abusos. Os parlamentares também associaram essa falta de dissuasão à promoção do USDT por organizações terroristas, como o Hamas. São conclusões atribuídas ao relatório, não uma decisão judicial apresentada pela reportagem.

Ardoino apresentou outra leitura. Em publicação na rede X, afirmou que, desde 2023, a Tether realizou bloqueios, em média, quatro semanas antes das designações oficiais de sanções por órgãos dos Estados Unidos e de Israel. O executivo também atribuiu às ações da companhia uma redução dos volumes de stablecoins ligados ao Irã. Essas informações são alegações da empresa reproduzidas pela CoinDesk, e não uma verificação independente dos resultados.

Bloquear um token não elimina a atividade

O USDT é uma stablecoin, um token que busca acompanhar uma referência de valor, neste caso o dólar. A capacidade de congelamento descrita por Ardoino mostra que o emissor conserva poder de intervenção sobre seu uso. Para quem acompanha criptoativos, inclusive no Brasil, isso distingue a circulação em blockchain, um registro compartilhado em rede, da ausência de controle por um intermediário.

Em participação remota na DC Fintech Week, na semana anterior, Ardoino disse que a meta é expulsar agentes ilícitos do USDT. Também afirmou que eles estão recorrendo a outros meios, fora do controle da companhia. Essa migração, se ocorrer como descrita, limita o alcance econômico dos bloqueios: restringir um instrumento pode dificultar uma rota financeira sem necessariamente encerrar a atividade que a utiliza.

A divergência, portanto, envolve tanto o histórico de atuação quanto o resultado das medidas. Antecipar sanções e reduzir o uso ilícito do próprio token são resultados distintos de eliminar o financiamento irregular. Mesmo que os bloqueios sejam eficazes dentro do USDT, o efeito mais amplo dependerá de quanto as alternativas conseguem substituir essa rota.

🪙 Número do Dia

4 semanas : Antecedência média dos bloqueios da Tether em relação a designações oficiais de sanções dos Estados Unidos e de Israel desde 2023, segundo Paolo Ardoino.

Por que isso importa

O caso evidencia o poder de intervenção de uma emissora de stablecoins e a diferença entre restringir atividades em seu token e impedir que elas migrem para outros meios.


Fonte original: https://www.coindesk.com/policy/2026/10/19/tether-senator-s-investigation-misses-positive-work-that-s-led-to-lower-iran-volumes